Sexta-feira, Agosto 19, 2022

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Nunca se mudou tanto de técnico no 1º turno

Com o início do segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2018, o certame chegou a impressionante marca depois de meio torneio disputado: dos 20 times que disputam a Série A neste ano, 14 fizeram algum tipo de mudança no comando técnico desde o início da competição. As exceções são Atlético Mineiro, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Internacional e São Paulo.

Desde o dia 14 de abril deste ano, quando aconteceu a primeira rodada do Brasileirão, os 14 clubes da série A foram responsáveis por 19 mudanças de técnicos. É a maior marca dos últimos cinco anos para o primeiro turno do Campeonato Brasileiro, ultrapassando o ano de 2014, quando foram feitas 18 alterações de treinadores no torneio nacional. A média de demissões, remanejamentos e saídas dos comandantes no período entre 2013 e 2018 foi de aproximadamente 17 por ano.

As 19 mudanças no comando técnico até o final do primeiro turno do Brasileirão deste ano trouxeram a marca de uma alteração por rodada no campeonato. Há, no entanto, times que foram “reincidentes” nas modificações e tiveram mais de dois técnicos nessa metade disputada do Campeonato Brasileiro, como foi o caso do América-MG, Botafogo, Ceará, Sport e Vasco. O caso mais recente foi do treinador Jorginho, do cruzmaltino carioca, que foi demitido após 10 jogos com a equipe. Quem assumiu foi o seu auxiliar Valdir Bigode.

DEMISSÕES
O grande número de desligamentos de técnicos não acontece apenas no período em que o Campeonato Brasileiro acontece, mas também durante toda a temporada. “O Brasil é o sexto país que mais demite treinadores no mundo”, afirma Hudson Martins, pesquisador e mestrando no Laboratório de Estudo de Pedagogia do Esporte (Lepe) da Unicamp. “Essa posição significa que 90% dos clubes da série A mandam seus comandantes embora durante o ano.”

Martins traz esses números de uma pesquisa da organização europeia de futebol, a Uefa, e que foi veiculada pelo jornalista Fábio Capelo, na revista Época. “O Brasil só é ‘vencido’ por países do segundo ou terceiro escalão do futebol mundial”, diz. Os cinco primeiros colocados, em ordem, são Costa Rica (100% de demissões nos clubes da primeira divisão), Turquia (94%), Argélia (94%), Romênia (94%) e Moldávia (91%).

Na atual temporada, o número de 90% dos clubes da primeira divisão mudando de técnicos durante o ano, publicado pela Uefa em janeiro deste ano, bate com a realidade. Dos 20 times da série A, como contra Martins, apenas dois não mudaram o seu comandante desde o início da temporada. Tanto o Grêmio, com Renato Gaúcho, quanto o Cruzeiro, com Mano Menezes, decidiram permanecer com técnicos, já que eles fizeram bons trabalhos no ano anterior, conquistando a Libertadores e a Copa do Brasil, respectivamente.

MOTIVOS
Para Martins, um dos principais vilões dos técnicos é o calendário do futebol brasileiro. O excesso de jogos, segundo ele, contribui para que os jogadores não tenham tanto tempo para entender a proposta tática de um treinador. “Se você joga muito, significa que você treina menos do que poderia treinar e se recuperar”, afirma. Além disso, o pesquisador do Lepe diz que a exigência em cima dos comandantes é “desumana”.

O que contribui para que a exigência em cima dos treinadores seja alta é, segundo Martins, em grande parte, resultado da expectativa criada pelo desempenho dos clubes nos campeonatos estaduais, seja ele positivo ou negativo. “Muitos clubes já demitem os técnicos logo depois dos estaduais, enquanto outros criam a exigência de ganhar alguma coisa”, diz.

Além do calendário, o pesquisador e mestrando do Lepe afirma que cabe aos clubes e técnicos avaliarem melhor as propostas de trabalho que são feitas ou recebidas. No caso dos dirigentes, Martins diz que é necessário seguir um “estilo” de perfil que seja compatível com o histórico do clube. “Existe sempre um padrão a ser procurado, e é ele que terá reflexos no modelo de jogo da equipe e na mentalidade dos jogadores.”

Já para os treinadores, Martins afirma que é necessário ter um conhecimento maior do ambiente político de determinado clube antes de firmar qualquer contrato. “Vários times brasileiros estão em instituições com cenários políticos dramáticos.” Sendo assim, segundo ele, os técnicos deveriam fazer um “reconhecimento de gramado” e ter uma percepção dos dirigentes e do clima para onde irá trabalhar.

PÓS-COPA
A parada para a Copa do Mundo também mexeu bastante com as cadeiras dos técnicos brasileiros. Após a 12ª rodada, a última antes do Mundial, foram 13 mudanças no comando dos times da série A do Brasileirão. Algumas dessas alterações aconteceram durante a paralisação, enquanto que outras foram nos jogos seguintes ao retorno do Campeonato Brasileiro, como foi o caso do técnico Jair Ventura, que foi demitido do Santos na 14ª rodada, praticamente uma semana após a grande final entre França e Croácia na Rússia.

Durante o mês do Mundial, o América-MG (Enderson Moreira), o Atlético-PR (Fernando Diniz) e o Fluminense (Abel Braga) foram os times que se desfizeram de seus técnicos para aproveitar o período e iniciar um novo projeto com um comandante diferente. No mesmo período, o então treinador do Botafogo, Alberto Valentim, decidiu sair do clube carioca para ir ao futebol egípcio no time do Pyramids F.C.

Após o retorno do Campeonato Brasileiro, na 13ª rodada, aconteceram nove mudanças em comandos técnicos em nove clubes diferentes. Oito dessas alterações aconteceram com times que lutam para fugir do rebaixamento.

A única mudança que não foi de um time buscando fugir da zona de rebaixamento aconteceu no comando do Palmeiras. Após perder para o Fluminense por 1 a 0 fora de casa, o até então técnico Roger Machado foi demitido. A diretoria alegou, por meio do presidente Maurício Galiotte, que o time apresentava um desempenho abaixo do esperado. Sendo assim, o escolhido para a posição de treinador foi Luiz Felipe Scolari, o Felipão, começando sua terceira passagem pelo clube.

Rodrigo Leitão
Editor-Chefe do site
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