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Segunda-feira, Janeiro 17, 2022
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COLUNA SACA ROLHA: Vinho do Porto deve ser resfriado

No Brasil, com exceção do inverno e, de São Paulo para baixo, o vinho do Porto nunca deve ser servido na temperatura ambiente. É um vinho licoroso, de elevada concentração alcoólica, na faixa de 20% de álcool por litro, e ele se torna intragável se provado nessas nossas temperaturas altas.

Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

Hoje, mesmo com uma chuvinha aqui e outra ali, a seca tomou conta do País. Neste ambiente, e também nos dias de colar da primavera e verão, o vinho do Porto tem de ser servido a uma temperatura abaixo de 18 graus. Entre 18 e 16 graus. Assim ele ficará mais aprazível.

A primeira coisa que se deve fazer, antes de servir, é pôr o vinho na geladeira, naquela parte de resfriamento rápido, por uns 20 minutos ou então guardar na parte debaixo da geladeira, no dia anterior. Na hora de servir, deve-se tirar uns dez minutos antes. Mas isso vai depender de qual tipo de Porto você vai sar.

O vinho do Porto é um capítulo à parte na história do Vinho. Só com a marca Ramos Pinto são 14 rótulos entre brancos, tawny, Ruby e Vintage. É uma história interessante. Alguns críticos do vinho do Porto dizem que ele é um vinho que já nasceu morto. Eu diria que é um vinho ressuscitado!

O vinho do Porto surgiu no século 17, quando os ingleses viram um bom lucro na importação de vinhos portugueses. E eles começaram a comprar grandes quantidades de vinho português. Esses vinhos eram levados para a Inglaterra de navio e para a bebida resistir às longas viagens marítimas, os comerciantes ingleses acrescentavam aguardente (cachaça) nos barris.

Logo nas primeiras viagens, os marinheiros perceberam que, além de conservar o vinho por mais tempo, a adição de álcool também realçava o sabor da bebida e aumentava a concentração de álcool. Sem querer, eles acabaram criando a fórmula do vinho do Porto. Aí os portugueses foram informados disso e lá na cidade de Vila Nova de Gaia, que fica no Porto, as duas são separadas pelo rio, começaram a experimentar essa dosagem de cachaça no vinho, até que chegaram ao vinho licoroso. Como os ingleses adoraram esse vinho doce e mais alcoólico, nasceu o vinho do Porto, que hoje é responsável por 40% das exportações de vinhos portugueses. Para garantir o monopólio sobre a receita, em 1614, o governo português assinou com a Inglaterra um contrato determinando que o vinho do Porto só pode ser produzido com uvas da região do Vale do Rio Douro, nordeste de Portugal. E desde o século 17 até hoje, o vinho do Porto foi sendo classificado em várias tipologias. Ele também é o vinho com a denominação de origem mais antiga do mundo, tornada lei pelo Marquês de Pombal, em 1756.

CATEGORIAS
Mas basta entender que ele pode ser tinto ou branco. Se for tinto, é dividido em três categorias:

Ruby – Um vinho muito frutado e com característica de vinho jovem, tem aromas e sabores de frutas vermelhas (frutos silvestres ou ameixas por exemplo).

Tawny – São também vinhos tintos, feitos das mesmas uvas que os Ruby, mas envelhecem dois a três anos nos balseiros, antes de irem para s pipas. São mais madeirados e envelhecem rapidamente, ganhando tons mais claros como o âmbar, e sabores a frutos secos como as nozes ou as amêndoas.

Porto Vintage – Essa é a classificação mais alta para o vinho do Porto. Considera-se Vintage o vinho do Porto obtido da colheita de um só ano, e é uma denominação atribuída apenas em anos considerados de excepcional qualidade. É um vinho pra guardar por 40, 60 anos. Os Vintage com alguns anos em garrafa, sem abrir, exalam aromas de chocolate, cacau, café, charutos, canela, pimenta e até frutas secas.

O Vinho do Porto branco não é muito badalado por aqui, Ele é feito exclusivamente com uvas brancas e envelhece em grandes balseiros de madeira de carvalho (20 mil e mais litros). São vinhos jovens e frutados e são o único vinho de Porto que se classifica pelo açúcar. Então a gente encontra Porto branco seco, que é ótimo aperitivo, principalmente em churrascarias, os meio-secos e os doces. Mas mesmo o seco tem uma certa doçura.

A pergunta em questão e: “pode guardar na geladeira?” Pode. Alguns deles conseguem se manter por dois meses, outros por 3 dias. Vai depender do vinho que você comprar.

O Porto branco dura até 3 dias depois de aberto, na geladeira. O vintage, se for safra antiga, resiste até 3 semanas. Se for jovem, 3 dias. O Tawny aguenta 2 meses. Essa é a recomendação padrão, mas eu já deixei 20 dias um Porto Ruby na geladeira e ele aguentou. Apesar de todas essas recomendações, o ideal é chamar os amigos e consumir a garrafa toda.

Temperatura para servir:
– Branco jovem 8 a 10 ºC.
– Tawny  E Ruby 14 ºC.
– Vintage envelhecido 16ºC
– Vintage jovem 18 ºC.

Rodrigo Leitão
Editor-Chefe do site
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