Fakenews diz que segunda dose da vacina pode causar doença grave, especialistas desmentem

Foto Divulgação/Secom

Ação de negacionistas detectada nas redes sociais pode ter sido responsável por boa parte da ausência de 1,5 milhão de brasileiros na segunda dose de vacinação. Em Joaçaba, a mensagem circula via whatsapp e outros aplicativos de mensagens.

O Secretário de Saúde Joaçaba alerta a população que não deve temer as fakenews sobre problemas com a segunda dose da vacina contra covid-19. “Dessa vacina podemos dizer que não tem nenhuma contra indicação. São vacinas aprovadas pela Anvisa e foram feitos todos os teste. Não há nenhuma situação que desabone qualquer uma das vacinas que estamos aplicando, tanto a Coronavac como a Astrazenica também”, esclareceu Valmor Reisdorfer sobre uma fakenews que circula nas redes sociais tentando tirar as pessoas das filas da segunda dose.

Essa nova fakenews, divulgada a partir deste domingo, dia 18, nas redes sociais de todo o país está irritando médicos, autoridades sanitárias e até o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. A mensagem, com a chamada “ATENÇÃO”, diz que “quem já teve covid só pode tomar uma dose da vacina”. A nota mentirosa continua aterrorizando ao argumentar que “se tomar 2, vai ter covid grave”. Segundo a mensagem fake espalhada pelas redes, inclusive em Joaçaba, por meio de whatsapp e mensagens telefônicas, pessoas alérgicas “também não cevem tomar”.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que mais de 1,5 milhão de brasileiros não voltaram aos postos de saúde para receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é o estado com o maior contingente, com mais de 343 mil atrasados. Na sequência, aparecem Bahia (148 mil) e Rio de Janeiro (143 mil). Em Santa Catarina, foram 45 mil.

A maioria das vacinas contra a Covid-19 testadas e já aprovadas necessitam de duas doses para conferir uma taxa de proteção aceitável. Isso vale para os produtos desenvolvidos por Pfizer, Moderna, Instituto Gamaleya e os dois que são usados atualmente na campanha brasileira: a CoronaVac e a AZD1222. A única exceção da lista é o imunizante de Johnson e Johnson, que já fornece uma boa resposta com a aplicação de apenas uma dose.

De acordo com o Ministério da Saúde, se alguém tomar apenas a primeira dose de CoronaVac ou AZD1222 e se esquecer da segunda, não estará devidamente protegido. “Os dados que temos mostram que a pessoa fica resguardada com duas doses. Se ela toma só uma, não completou o esquema e não está vacinada adequadamente”, explica a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Por mais que a primeira dose já dê um pouco de proteção, essa taxa não está dentro dos parâmetros estabelecidos pelos especialistas e pelas instituições que definem as regras do setor, como a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

PERIGO
Ao receber a primeira dose (e não retornar para completar o esquema vacinal), o indivíduo corre o risco de ficar com uma falsa sensação de segurança. Ele pode até achar, de forma absolutamente equivocada, que já está imune ao coronavírus e seguir a vida normalmente, sem os cuidados básicos contra a Covid-19.

“Se o prazo para receber a segunda dose passou demais, pode ser necessário recomeçar o regime vacinal, pois todos os dados de eficácia que temos são baseados num protocolo. Se fugirmos disso, não temos como garantir a imunização”, diz a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.