Gafanhotos grandes assustam moradores do Meio-Oeste

Vistos em cidades da região, estes insetos estão entre os maiores do mundo, segundo a Epagri. Especialista descarta riscos à agricultura.

Do G1

A aparição de gafanhotos medindo aproximadamente 12 centímetros tem chamado a atenção de moradores em cidades do Meio-Oeste catarinense. Apesar do tamanho, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), órgão oficial de pesquisa agropecuária do estado, os animais não oferecem riscos à agricultura. “É a primeira vez que eu vi um bicho assim. Eu já tinha ouvido que nos outros bairros tinha, mas espanta pelo tamanho mesmo, é bem grande, dá quase um palmo da mão”, disse José Djalma Pacheco dos Santos, de 55 anos, que recolheu um gafanhoto na terça-feira (13) no quintal de casa, em Campos Novos.

Segundo Marcelo Mendes de Haro, entomologista da Estação Experimental da Epagri em Itajaí, no Vale, os animais são do gênero Tropidacris e estão distribuídos em todos os países da América Latina e podem ser vistos em diferentes regiões brasileiras.

“Assusta um pouco as pessoas quando se deparam, pois eles estão entre os maiores gafanhotos do mundo, porém é natural o aparecimento nesta época do ano. Não é preciso se preocupar, só assusta pelo tamanho dele”, afirmou Haro.

Diferentes fatores podem ter contribuído para o aparecimento deles. “Às vezes tem uma pressão, um verão maior, uma época de verão um pouco maior falta recurso em uma região, falta chuva, aí eles ficam com um pouco mais de fome, saem da mata e aparecem nas cidades”, explica o entomologista.

Segundo o pesquisador, a espécie não tem costume de formar grandes populações como a nuvem de gafanhotos que foram detectadas na Argentina ano passado. “São insetos comuns a nossa região e outras regiões do Brasil. Sem riscos a agricultura”, explica.

Quanto aos gafanhotos que apareceram em lavouras no território argentino este ano, Haro explica que esse é o momento de reprodução dos insetos. “Nem sempre eles formam nuvens. Este fenômeno é muito antigo, e sempre vai acontecer naquelas províncias, mas em anos mais propícios, formam nuvens, e ano passado, graças a pandemia, chamaram muita atenção. Nada a se preocupar por aqui. São fatos isolados”.