Bombeiro com incendiário em casa

Foto Secom

O governador Carlos Moisés (PSL) terá que demonstrar suas habilidades para conseguir contornar a nova crise que se instala no governo. A contestada licitação para construção do Hospital de Campanha em Itajaí ganhou novo capítulo após o secretário da Casa Civil, Douglas Borba, ser relacionado como amigo íntimo do advogado Leandro Adriano de Barros, que atuou em diversos processos do Hospital Mahatma Gandhi e foi ex-secretário de Biguaçu. A obra vai custar R$ 76,9 milhões, com 100 leitos de UTI, em um período de seis meses de funcionamento.

Foi decretada vencedora da dispensa de licitação mesmo tendo preço mais alto que o concorrente Instituto Nacional de Ciências da Saúde, que ofereceu uma proposta de R$ 56 milhões. O secretário silenciou, mais uma vez e passou a bola para o chefe da Casa Civil, João Batista Cordeiro Junior, órgão que ficou responsável pela tal licitação.

Na outra ponta, a promotora Darci Blat, da  26ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina, instaurou notícia de fato para apurar o assunto. E o Ministério Público, que tem participado das reuniões do gabinete de crise, disse que “não participou de qualquer tomada de decisão em relação à contratação do hospital de campanha em Itajaí”.

A vice-governadora, Daniela Reinehr, que pouco tem aparecido durante toda essa crise, colocou mais lenha na fogueira. Ela chegou a publicar em suas redes sociais um pedido para que a tal licitação fosse suspensa. Não caiu nada bem e ela apagou a postagem.

Douglas Borba já foi denunciado por ter contratado funcionários fantasmas quando exercia mandato como vereador na Câmara de Biguaçu, em 2014. Leandro Adriano de Barros foi condenado, em 2016, pela mesma prática. A proximidade do secretário com Moisés se deu ainda na eleição. Douglas teria demonstrado grande capacidade de articulação, principalmente nas redes sociais, e caído nas graças de Moisés. Dominou a comunicação, que está subordinada a sua pasta, e nos bastidores, o que dizem é que ele próprio toma as principais decisões no governo.

Foi o que ocorreu quando Moisés anunciou a liberação da quarentena para todos os estabelecimentos comerciais no Estado logo após a primeira semana do isolamento. A decisão teria vindo de uma reunião entre Douglas e o secretário da Fazenda com o setor produtivo.

(Fonte Pelo Estado/SC Portais)