“Quem irá pagar nossos colaboradores, aluguéis e outras despesas de nossas empresas?”

A questão circula em imagem nas redes sociais que também traz o seguinte apelo, dos comerciantes de Santa Catarina: “Desigualdade na seleção de setores nos impossibilitam de abrir, concorrência desleal, podemos seguir também todos protocolos de segurança exigidos, queremos apenas trabalhar, não nos deixe quebrar e desamparar milhares de famílias catarinenses”.

O descontentamento é geral por parte dos lojistas que não entende os critérios de seleção para definir o que abre e o que fecha. Preocupados com os colaborados, as contas, os negócios, enfim, pressionam o governador do Estado, Carlos Moisés, para que não prorrogue mais o fechamento do comércio em geral.

Algumas mensagens, nas redes sociais, também convocam os comerciantes para uma manifestação na rua em frente à Prefeitura para esta quarta-feira, dia 8, como forma de pressionar o Poder Público local. Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Joaçaba informou que “Joaçaba possuí por base o decreto do Estado”.

A imagem do Centro de Joaçaba, que você vê nesta página foi registra pouco antes do meio-dia desta terça-feira, dia 7. O movimento era intenso, de carros e pedestres, além de muitos carros estacionados. Algumas lojas consideradas “não essenciais” estavam abertas. O movimento só não era maior, pois as escolas estão fechadas e o transporte público não está circulando.

Em entrevista, ao RD Comunicação, Célio Alves de Oliveira, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Joaçaba, afirmou que “apesar de atendermos todos os cuidados necessários que deve ter quanto ao contagio do coronavírus, é que ele (o governador) está diretamente violando um dos princípios fundamentais da nossa constituição, que é o princípio da igualdade”.

Foto Divulgação

Segundo o presidente da entidade, “a sensação que passa é que os nossos lojistas estão na eminencia de agir como bandidos, trabalhar escondidos. É complicada a situação por que já faz 20 dias, amanhã (dia 8) 21 dias que o nosso comércio está fechado e isto implica em uma responsabilidade muito grande quanto a economia, tanto do ponto de vista individual de cada lojista, quanto do próprio Estado que não está também recebendo o seu ICMS”.

Ele ressalta que “os nossos lojistas estão entrando no limite da paciência”. Célio de Oliveira explica que quando diz “nossos lojistas” está se referindo à Joaçaba, mas isto é extensivo a todos os municípios da região. “Na região está ocorrendo um movimento muito parecido. E quando a gente fala em região, não só do estado de Santa Catarina. No Brasil todo onde os governos estão insistindo em abrir apenas algumas frentes de Cnais, alguns departamentos e restringindo outros estão causando esse estresse profundo a ponto de colapsar, esgotar não só a paciência, como a capacidade de produção dos lojistas”.

A diretoria da CDL está preocupada e se reúne diariamente online para poder amenizar a situação e tentar identificar onde estão os pontos de estrangulamento. “Existe um Comitê de Crise no Estado de Santa Catarina, que é constituído pelas federações, como Fecam e Fiesc. Estas federações estão unidas com um único objetivo, permitir que as indústrias funcionem, que o comércio funcione, que a economia se movimente. Por isso, a CDL de Joaçaba vem se comportando de maneira bem pontual, com uma certa postura ética e responsável, compreendendo os dilemas de todos os nossos lojistas e aguardando com ansiedade o bom senso do nosso governador”.

Célio Alves de Oliveira contou que, em reunião nesta segunda-feira, dia 6, com o tenente-coronel Valdecir, comandante da Polícia Militar da região, a entidade deixou bem claro que há muitos equívocos na forma de caminhar tais medidas. “Não é lógico abrir uma loja de departamentos para vendar tão somente ferramentas e chocolates e não pode vender qualquer outro produto”, citou. Ele questiona, onde resiste o problema? “Se você olhar para as nossas ruas em Joaçaba. A movimentação e o descuido das pessoas são extremos. As pessoas idosas deveriam estar em casa. E os mais jovens trabalhando. Isto seria o ideal. Está é a recomendação de todas as regras de saúde. O isolamento já teve seu papel importante. Vamos voltar a trabalhar. Mas para tanto nós precisamos de uma maneira ordeira e gradativamente abrir o comércio. Sob pena de em uma última estância de promover junto com os lojistas uma movimentação de rua. Algo que possa impactar”.

Ele destaque que, “não é isso que nós, enquanto CDL, queremos, mas os nossos lojistas precisam trabalhar. As pessoas que estão circulando nas ruas querem entrar nas lojas para comprar. Se estão nas ruas e nós não vemos num movimento das autoridades competentes, seja do ponto de vista da Secretaria da Saúde, da Prefeitura, enquanto órgão público, zelando pelos cuidados sanitários, distanciamento, utilização de máscaras, luvas, entre outros equipamentos. Se a gente não vê a Polícia Militar dando esta orientação mais efetiva. O que nos resta? Então, a questão está insustentável”.

A CDL de Joaçaba é solidaria a todos os lojistas e, segundo o presidente da instituição, entende que neste momento precisamos sim, hoje ou amanhã, utilizar novas cartas. “Talvez a da pressão”.