Matemática da contaminação: SC pode ter mais de 300 infectados

Foto Robson Valverde_SES

Crescimento exponencial, curva, pico, evolução. Esses termos dominam os informes sobre o novo coronavírus. O que os dados mostram é que a pandemia se multiplica muito rápido (escala exponencial). A curva de crescimento acentuada faz o pico de casos extrapolar a margem de capacidade dos sistemas de saúde. Foi o que ocorreu na China, Itália e outros países da Europa. Um pico alto pode levar a falta de leitos e invariavelmente a uma maior taxa de mortalidade. Exemplo disso é o que ocorreu na Itália, que já tem mais de 41 mil casos confirmados e em menos de 24 horas confirmou mais 450 mortes. A Itália já passou a China em número de óbitos, são 3.405 mortos contra 3.245 na China, que chegou a mais de 80 mil casos confirmados.

Em entrevista ao Estadão, o presidente do Hospital Albert Einstein de São Paulo, médico-cirurgião Sidney Klajner, estima-se que para cada caso notificado no Brasil é possível que existam outros 15 infectados não notificados. Isso colocaria o país em uma situação muito mais alarmante do que se tem hoje em tela. Para se ter ideia, em Santa Catarina poderíamos estimar cerca de 315 infectados. Segundo o especialista, o pico dos casos na epidemia de covid-19 no Brasil deve ocorrer no início de abril.

O presidente Jair Bolsonaro já disse que o Brasil não vai fazer 100% dos testes em suspeitos como indica a Organização Mundial da Saúde (OMS), “seria desperdício”, afirmou. O mesmo foi seguido pelo governo catarinense, que fará testes por amostragem.

A orientação da OMS é de que sejam testadas todas as pessoas que possam ser consideradas suspeitas e, em caso positivo, testar todos que tiveram contato com o caso confirmado nos dois dias anteriores e testá-los também, mesmo sem sintomas.

A alegação da OMS é que mesmo pacientes assintomáticos transmitem a doença. De fato, estudos mostram que boa parte das transmissões vem de pessoas assintomáticas.

A mudança de metodologia dos testes pode acabar “mascarando” a realidade do coronavírus que é mostrada em relatórios oficiais. Os dados também podem ficar comprometidos para fins de estudos estatísticos em um contexto de comparação global.

Na Itália a maioria dos mortos são idosos, na França, a maior parte dos internados em UTI não fazem parte desse grupo. No Brasil, com quatro mortes confirmadas, ainda é cedo pra dizer qual é o perfil majoritário das vítimas fatais. Mas autoridades já avaliam que seria catastrófica a chegada do vírus às comunidades mais carentes.

Fonte Fábio Bispo/SC Portais

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