Brasileiro toma 70 litros de café por ano

Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

A gastronomia abraçou o café com o mesmo ritual do vinho e hoje, em todo o País, os baristas são tão cultuados quanto os sommeliers. Atualmente, 97% dos brasileiros acima dos 15 anos consomem café diariamente. Isso gera um consumo anual superior a cinco quilos per capita, ou seja, 70 litros de café por brasileiro.

O Dia Nacional do Café é comemorado porque em 24 de maio começa a colheita nas cinco regiões produtoras e por isso foi institucionalizada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Para este ano, a expectativa é fraca, pois estima-se uma queda em torno de 8% na safra 2019/20. Hoje, no Brasil, existem mais de 300 mil produtores de café, espalhados por Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

De acordo com pesquisa realizada no site da ABIC, 81% das famílias brasileiras consomem mais de dois quilos de café por mês. Esse mercado é  responsável por um consumo interno de 839 xícaras de café por brasileiro, ao ano (de 40 ml), o que significa  que o brasileiro consome, em média – considerando todas as categorias de café, exceto as prontas para beber -, mais do que 5 vezes a média mundial. Ou seja, 70 litros de café por habitante ao ano, em 2018.

ORIGEM
A história do café começou no século 9. O café é uma planta das terras altas da Etiópia. Os primeiros divulgadores do café foram os egípicios e de lá a Europa tomou conhecimento dessa bebida. Muita gente pensava que a palavra “café” tivesse ligação direta com a cidade de Kaffa, onde a planta foi descoberta. Mas não, “café” deriva de “qahwa”, termo árabe que significa “vinho”. A palra surgiu pela importância que o café passou a ter para o mundo árabe.

Diz a lenda que um pastor chamado Kaldi descobriu que suas cabras ficavam mais espertas ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Então, ele resolveu provar e também sentiu maior vivacidade. Um monge da região soube disso e passou a fazer uma infusão dos frutos para resistir ao sono enquanto orava. Daí em diante, os efeitos da bebida passaram a ser relatados e no século 16 o café já era apreciado no Oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia. Mas no início, o café enfrentou resistência entre os muçulmanos, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. Mas como até os maometanos aderiram à bebida (para facilitar a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono), o café acabou virando mania mundial.

SAIBA MAIS SOBRE O CAFÉ

CURIOSIDADES
– A primeira loja de café surgiu em Constantinopla, em 1745.

– Foi a expansão do Islamismo que levou o café para outras regiões.

– A época dos descobrimentos ajudou a propagar a bebida.

– Foi em 1570 que o café chegou a Veneza, na Itália. Mas os cristãos não tomavam, porque era uma bebida considerada maometana. O café só foi liberado depois que o Papa Clemente VIII provou e gostou.

– A primeira casa de café aberta na Europa, foi na Inglaterra, em 1652. Dois anos depois foi a vez dos italianos. Como negócio, o café só chegou a Paris em 1672, quando abriu a primeira casa de café na França.

– E foi na França que se adicionou açúcar à bebida, pela primeira vez. No reinado de Luís XIV, em 1713.

– O café chegou ao Brasil em 1727. A primeira fazenda típica de café foi erguida em Avaré, pelo sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará.

DICAS PARA PROVAR
– Dê preferência ao rótulo que trouxer o nome da fazenda produtora. Isso quer dizer que o café é de alta qualidade.

– Se puder, moa os grãos na hora. Os melhores aromas e sabores de café oxidam 20 minutos após a moagem.

– Use água mineral. O cloro anula os óleos essenciais do café. A segunda opção é água que passe por filtros que usam carvão ativado. Por último, água da torneira. Mesmo fervida, ela tem elevados teores de cloro.

– Nas cidades de litoral, o melhor é não ferver a água. Em Brasília e nas outras cidades acima de 200 metros de altitude, não há problema, porque a temperatura de fervura é inferior a 100° C. Quando a água entra em ebulição ela perde o oxigênio que reage com os óleos essenciais do café.

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