ESPECIAL PÁSCOA: “A fé cristã se renova e se faz presente a cada Semana Santa”

ENTREVISTA / DOM MÁRIO MARQUEZ – Bispo Diocesano de Joaçaba

Claudia Mota e Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

Domingo passado, Jesus entrou em Jerusalém montado em um jumento e sendo aclamado pelo povo como “o Messias”. Neste momento teve início a Semana Santa, o período em que a Igreja Católica concentra suas atenções para o ato mais importante de sua base religiosa, a fé, o credo, por meio da ressurreição do Cristo, que se dará no próximo domingo, mas conhecido como a Páscoa. A importância desse fato bíblico para os cristãos, de forma geral, é a aceitação do martírio de Jesus de Nazaré e sua consequente crucificação como sendo o mais significativo ato de amor já registrado na história da humanidade. Jesus morreu na cruz para nos salvar e garantir a vida eterna ao lado de Deus, o pai todo poderoso. O Bispo Diocesamo de Joaçaba, Dom Mário Marquez, recebeu a reportagem do Raízes Diário em seu gabinete, na última terça-feira, para conversar sobre a importância da Semana Santa. “Jesus veio para servir e não para ser servido. O reino que ele veio pregar não era um reino humano, mas sim um reino divino, trazendo a salvação e resgatando toda a humanidade”, disse Dom Mário ao RD. Nesta sexta-feira, às 15h, Jesus receberá a estocada de um soldado romano, após horas pendurado e martelado a uma cruz de madeira, padecendo perante alguns apóstolos e familiares. “A Semana Santa, portanto, é a preparação para a morte de Jesus, que morreu para salvar a humanidade”, lembra o Bispo, que nesta entrevista, fala sobre esse período sagrado.

Raízes Diário – Qual a importância da Semana Santa?
DOM MÁRIO –
A Semana Santa é um período de reflexão que começa no Domingo de Ramos e se encerra na Páscoa. E a Páscoa é a celebração da ressurreição de Jesus, que é o grande momento da nossa vida cristã. A razão e o que nos leva a viver a fé em Jesus Cristo a partir da sua ressurreição. Todo o outro contexto de recolhimento no sábado, da morte na sexta-feira da Paixão, da entrada em Jerusalém no Domingo de Ramos, da prisão do Cristo, tudo isso foi um contexto que preparou para a ressurreição.

RD – Mas depois que Jesus ressuscitou ele permaneceu mais 50 dias em contato e presença com os apóstolos…
DOM MÁRIO –
A esse tempo nós chamamos de tempo pascal e que vai culminar lá com a celebração da vinda do Espírito Santo. Ou seja, do Pentecostes! Então, são 50 dias ainda sendo celebrados promovendo a Páscoa como uma grande festa. Tudo isso compõe a fé cristã dentro de um contexto em que Jesus, depois de ressuscitado, aparece várias vezes e de várias formas, dando às pessoas a compreensão gradativa para aceitar seu projeto de vida, deixando, a partir do Pentecostes, toda a ação para o Espírito Santo conduzir até os dias atuais todos os seus ensinamentos e o todo o seu testemunho.  Então, percebemos que a fé cristã se renova e se faz presente a cada Semana Santa.

“O importante é fazer o jejum. Virou um costume substituir as carnes pelo peixe. Seja peixe, carne ou outra coisa que você goste de comer, o importante é observar o jejum, a abstinência. A Igreja pede que se faça jejum apenas na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa.”
(Dom Mário Marquez)

RD – Um dos exemplos que Jesus deixa nesse período de preparação para a ressurreição é o lava pés. Um ato de extrema humildade, lavando os pés dos apóstolos. Uma simbologia que o mundo parece ter perdido, o rei descendo ao nível do comum.
DOM MÁRIO –
Eu creio que muitas pessoas se dedicam tendo Jesus como referencial na vida. Pessoas que praticam a fé e se desdobram para a solidariedade, para cuidar do outro, que estão interessadas pelo bem. Há um grande número de pessoas voltadas para isso, como também há pessoas distantes, indiferentes diante do sofrimento, diante das dificuldades… Essa insensibilidade está presente sim no mundo atual. Mas humildade de Jesus começa lá no Domingo de Ramos, montando num jumentinho, que era a locomoção dos pobres. Esse gesto é muito importante e no lava pés ele dá o maior exemplo de humildade ao dizer que iria lavar os pés dos discípulos e Pedro disse “não, eu não sou digno de que laves os meus pé. Eu é que devo lavar teus pés”. O exemplo que ele dá ali é o de servir. Com isso ele demonstrou aos apóstolos que fossem humildes, assim como ele se colocou. Lavar os pés, naquela época, era serviço dos escravos.

RD – Quando se estuda o Jesus histórico, pela antropologia, se verifica que a multiplicação dos peixes vai muito além de uma ação para saciar a fome da população praiana. O peixe ra muito aro já naquela época e eles pescavam peixe para vender aos ricos e ganhar seu sustento. Aquelas comunidades não comiam o peixe, comiam farofa de peixe. Quem comia peixe eram os ricos. Então Jesus teria promovido um banquete. Que sugestão o Sr. dá a quem não tem como comprar peixe na Semana Santa?
DOM MÁRIO –
Naquela época, mesmo assim, não havia tanto custo para ter o peixe. Hoje, o transporte, o maquinário, o frete, os impostos, a industrialização acaba encarecendo esse alimento. Principalmente para quem mora distante de rios produtores e do litoral. O que é importante, na verdade, é fazermos o jejum. Seja com peixe ou de outra coisa que você goste de comer. Alguns fazem com chocolate! O importante, o que a Igreja pede, é que se faça jejum de carnes com sangue quente, em apenas dois dias, a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa. Virou um costume substituir essas carnes pelo peixe. O importante é observar o jejum, a abstinência.

 

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