Acadêmicos do Grande Vale é campeã do Carnaval de Joaçaba

Escola caçula da cidade mostrou que queria o título já na concentração. Barracão apostava na vitória se os passistas levassem o coração para avenida, como definiu o espírito da agremiação o presidente e coreógrafo Jorge Zamoner antes do desfile. Mestre-Sala e Porta-Bandeira fizeram a diferença com nota 10 de todos os jurados. Em cinco anos de existência e já com um vice-campeonato, a Grande Vale conquista seu primeiro título. A Aliança ficou em segundo lugar. Unidos de Herval ficou em terceiro e a Vale Samba, que retornou após ausência de dois anos, em quarto.

Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

Como bem avaliou o radialista e produtor cultural Jaime Telles, em entrevista à Rádio Luz, de Luzerna, durante o desfile das escolas de samba de Joaçaba, o que “vale é o conjunto”. Mas não foi somente o conjunto que deu a vitória da disputa carnavalesca de 2019, em Joaçaba, à Acadêmicos do Grande Vale: a dupla de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, digna de figurar entre as principais escolas do Rio de Janeiro e de São Paulo, fez a diferença e com seus 30 pontos (dez de cada jurado) reverteu o mais disputado desfile promovido pela Liga das Escolas de Samba de Joaçaba e Herval d’Oeste (Liesjho) em toda a sua história.

Com um desfile impecável, bem harmonizado e com evolução perfeita, embora a nota dos jurados não tenha refletido isto (a escola obteve 29,4 pontos contra 29,5 da Aliança, segunda colocada), a Grande Vale cantou a região – foi original em seu enredo ao levar para a avenida a Guerra do Contestado, a economia das festas de produção de bebidas que vem da agricultura familiar, neste caso o vinho e a cerveja artesanal, as festas religiosas e, com isto, evidenciou tanto a cultura quanto a economia e a política das cidades do Meio-Oeste de Santa Catarina.

CONTAGIANTE
Desde o início do desfile era visível a energia contagiante dos foliões da Grande Vale. Do criativo combate do Contestado, na Comissão de Frente até o fechamento com uma bateria muito bem ensaiada. Destaque para a reconstrução do Trem de Ferro que ligou a região por muito tempo, trazendo no Abre-Alas o enredo da escola: “No contestado Vale do Carnaval, a Acadêmicos faz uma grande festa cultural”.

“É o meu presente de 40 anos de samba!”, vibrou o presidente e carnavalesco da Acadêmicos do Grande Vale, Jorge Zamoner. Após o resultado, ele parabenizou toda a equipe, o barracão, os integrantes da escola e destacou a dificuldade que enfrentaram para chegar à avenida. Com custo de R$ 500 mil para fazer seu carnaval, Jorge disse que foi muito difícil: “Cheguei a pensar que não daria.”

JÚRI RIGOROSO
O presidente da Unidos de Herval, Sérgio Giacometti, disse que achou o júri muito rigoroso com a escola, mas elogiou a vitória da Grande Vale: “Isso é bom para a renovação”, desabafou o carnavalesco em relação à sequência de vitórias das concorrentes. Giacometti disse que vai analisar as notas dos jurados para modificar a forma de desfilar. “Vamos repensar os quesitos e nos preparar para o ano que vem”, concluiu ele.

Diego Joe Müller, presidente da Aliança, disse que vai refletir para saber onde a escola pecou para ficar em segundo lugar. “Conquistar o título não é tão difícil, difícil é manter”, disse o dirigente. “Minha ficha ainda não caiu”, desabafou em relação à surpresa em sua expectativa. Segundo Diego, a escola vai se reunir para buscar os erros e consertá-los. “Vamos ver o que aconteceu. Quando se ganha, não se vê os erros. Vamos conversar para, em 2020, trazer o caneco de volta”, concluiu o dirigente da Aliança.

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