“Todos nós temos que nos cuidar e fazer a nossa parte”

Foto Divulgação

Entrevista com Carmen Zanotto, secretária da Saúde

A nova titular da Secretaria Estadual da Saúde, a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania), está desde a última quinta-feira (1) se inteirando mais diretamente dos desafios que terá no combate à pandemia em Santa Catarina. Profunda conhecedora da área, a lageana do Bairro Coral, enfermeira de formação, ex-secretária municipal da Saúde e ex-ocupante do mesmo posto que agora volta a assumir, sabe que nunca enfrentou um problema tão forte e intenso como o atual. Com mais de 11 mil mortos, Santa Catarina, assim como todo o país, vive um drama que, segundo ela própria, ainda não chegou ao seu pior momento. Por isso, sabe que o caminho para superar este grande obstáculo passa pela vacinação em massa o mais rápido possível; o cumprimento das medidas de distanciamento; e a obediência aos protocolos de higiene pessoal. Na última quinta-feira, assim que chegou ao estado vinda de Brasília, ela concedeu entrevista coletiva onde expôs sua posição sobre todos temas relativos ao enfrentamento da pandemia. Posição que colocará em prática de agora em diante.

Confira:

CONVITE

É uma grande responsabilidade que tenho desde que recebi o convite da governadora Daniela Reinehr para assumir a Secretaria de Saúde neste momento de pandemia em Santa Catarina. Todos sabem do nosso trabalho que não se iniciou ontem à frente da pandemia, eu fui relatora da Lei de Emergências Sanitária Internacional, o PL 23, porque em janeiro de 2020 quando acompanhamos uma declaração do presidente da República da dificuldade de repatriarmos os brasileiros que estava em Wuham, na China, nos debruçamos sobre os problemas em busca do que tínhamos de legislação e no que poderíamos avançar. Instalamos uma Comissão Externa de Enfrentamento ao Covid exatamente para garantir o que estamos vendo hoje, que são essas ações para apoiar estados e municípios. Quando a governadora me fez o convite, não poderia me furtar de estar aqui e cumprir essa missão, pois sou uma profissional de Saúde. A gente vem com esse intuito de ajudar a população de Santa Catarina. Vacina é a prioridade, temos que chamar a população dos grupos prioritários, fazer uma busca ativa para aqueles que ainda não vieram, mas precisamos garantir também os insumos estratégicos, o conhecido “kit intubação”. Foi Santa Catarina que alertou, em julho, a necessidade de termos insumos. E a partir dessa demanda do nosso estado que houve aquela importação do Ministério da Saúde.

ENCONTRO COM BOLSONARO

A governadora esteve com os deputados na última segunda-feira (29/3), na reunião do Fórum Parlamentar Catarinense, quando tivemos uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, onde reforçamos a demanda do nosso estado. Com certeza absoluta, quando a gente olhava para Wuham em janeiro de 2020, a gente não imaginava que aquilo chegaria na intensidade que chegou no nosso país. O mesmo acontece se a gente olhar para janeiro deste ano para Manaus e não acreditava que aquela situação poderia chegar em Santa Catarina. Imaginar que nós chegaríamos ao ponto de ter mais de 400 pessoas esperando por um leito de UTI, com toda a estrutura de saúde histórica que Santa Catarina tem, é complexo porque estamos falando de vidas.

IMPRENSA

Gostaria de fazer um pedido para a imprensa: nos ajudem a divulgar a importância do uso das máscaras, a importância da lavagem frequente das mãos, a importância do distanciamento. Isso vale para os momentos em que estamos no comércio, na indústria, mas também para os momentos em que a gente recebe pessoas nas nossas casas. Nestes pequenos momentos de lazer é que a gente pode estar facilitando.

CONTINUIDADE DAS AÇÕES

É preciso deixar claro que não existe terra arrasada na Secretaria da Saúde, ficar imaginando que a partir de agora tudo vai ser diferente. O que precisamos fazer é implementar aquilo que já vinha sendo feito, porque precisamos intensificar o acesso às vacinas, descobrir onde temos pessoas que já poderiam estar vacinadas, se não foram, porque não foram.

VAGAS EM UTI

Precisamos, além das vacinas, ver esses pacientes que ainda estão esperando por vagas nas unidades de tratamento intensivos com estrutura, equipamentos e recursos humanos; e buscar ativar o mais rápido possível, porque leitos de enfermaria é mais tranquilo de ativar. Precisamos olhar para estes pacientes que estão aguardando estes leitos de UTI em hospitais de pequeno porte, numa UPA, num centro de triagem. Vamos ter todos esses leitos: Não! Por isso a tarefa é de todos para evitarmos casos ainda mais graves. Temos que reforçar os cuidados necessários que todos nós precisamos ter. Se não nos apropriarmos disso, o prejuízo na vida das pessoas e na economia será muito grande, muito além do que a gente já está vivendo hoje.

ESTRATÉGIA DE VACINAÇÃO

O que houve de mudança depois de muitos estudos foi a autorização para o uso 100% das vacinas, em especial as vacinas do Instituto Butantan, da Coronavac, porque do quantitativo que chegava, 50% ficava sob responsabilidade da Secretaria da Saúde para garantir a segunda dose. A partir dessa mudança passou-se a utilizar 100% dessas doses. A nossa força-tarefa é: busca ativa daqueles que não  foram vacinados; nenhuma vacina parada se possível em nenhum município catarinense. Se por acaso faltarem vacinas significa que tudo aquilo que a gente recebeu foi aplicado conforme o Plano Nacional de Imunização (PNI). E vamos continuar trabalhando junto ao governo federal e a Anvisa para que a gente tenha todas as vacinas com segurança, o mais rápido possível para toda a nossa população.

QUANTIDADE DE VACINAS

Nós tínhamos uma previsão de que neste mês de março teríamos 38 milhões de doses e isso não se concretizou. Para o mês de abril, a previsão também era maior, ela já foi ajustada e nós teremos em torno de 5 milhões a 5,5 milhões de doses. Estes ajustes acontecem porque depende do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), que não chegou. Quando chegar mais, poderemos ter mais doses do Instituto Butantan. A Fiocruz já começou a aumentar a sua produção, enfim, se falava numa expectativa de 15 milhões de doses em dezembro de 2020…passou dezembro, janeiro e fevereiro. Mas a gente acredita muito que agora começa a regularizar. Agora, vacina com segurança e eficácia. Quando a Anvisa não autoriza uma determinada marca de uma vacina é porque ela foi lá fazer a inspeção, viu as condições de produção, os estudos que foram realizados. Não basta vacinar, temos que vacinar com segurança.

LOCKDOW

Não dá para ter uma regra única para todos os locais. O bom técnico segue o bom político e o bom político segue o bom técnico. Temos que compreender que se a gente se cuidar, cuidar das pessoas que a gente mais ama, que são as nossas famílias, estaremos cuidando do nosso bairro, da nossa cidade e daí conseguiremos enfrentar este momento da pandemia, que ainda não chegou ao seu pior momento. Precisamos manter o distanciamento, usar a máscara sempre. A gente precisa estudar se vamos ter ou se não vamos ter um fechamento geral. Precisamos analisar cidade por cidade. Quando a gente se pergunta: se for um familiar nosso que vai ficar na calçada de um hospital, vamos aceitar? Não! Então aquilo que a gente quer para a gente, temos que querer para os outros. Todos temos que fazer a nossa parte.

(Fonte Coluna Pelo Estado)