Coluna Pelo Estado – A nossa falta de consciência negra

A morte de João Alberto Silveira Freitas, 40, espancado e asfixiado por seguranças do hipermercado Carrefour, em Porto Alegre, não poderia ser mais simbólica. João foi sepultado na mesma data que o país celebra o dia Consciência Negra. O caso tem sido comparado ao episódio que tirou a vida do norte-americano George Floyd e que mobilizou o mundo em torno da bandeira “Vidas Negras Importam”.

Informações preliminares apontam que João teve um desentendimento com a caixa do supermercado. Na sequência, foi abordado por um segurança, acompanhado de um policial militar de folga, que passaram a espancar o homem. As cenas foram gravadas e impressionam pela brutalidade.

Mas a morte de João, infelizmente, não é um caso isolado e diz muito sobre a criminalização que nossa sociedade ainda impõe sobre a cor da pele. O protocolos de segurança, sejam públicos ou das instituições privadas, colocam o corpo da população negra como corpo que não tem valor.

E isso fica mais evidente nas estatísticas. Entre 2008 e 2018, segundo o Atlas da Violência, o assassinato de negros cresceu 11%. Na década analisada, 75% das mortes violentas são de pessoas negras.

O vice-presidente Hamilton Mourão se manifestou nesta sexta da Consciência Negra e disse que “não existe racismo no Brasil”. A afirmação foi o estopim para o desdobramento do caso, que gerou repúdio entre especialistas e movimentos que lutam contra o racismo no país.

Mourão não tem acompanhado o noticiário, ou quis tapar o sol com a peneira. Ainda esta semana, após a eleição, a primeira vereadora negra eleita em Joinville foi alvo de agressões racistas.

Na quinta, durante evento do Instituto Federal Catarinense de São Francisco do Sul, os participantes foram surpreendidos com um ataque também racista.

Mas Mourão não é o único a negar o racismo no país. O presidente Jair Bolsonaro já afirmou que “racismo é algo raro no Brasil” e nomeou na Fundação Palmares o jornalista Sérgio Camargo, que também adota postura negacionista em relação ao tema.

Definitivamente, a falta de consciência negra no país não parece algo fortuito.

Que de tudo isso sobre algo que possa ser capaz de fazermos uma reflexão verdadeira profunda no mês da consciência negra.

Ah, na eleição Mourão declarou no TSE ser indígena.

Mais leitos
O Governo catarinense conquistou a habilitação de 45 novos leitos de Terapia Intensiva nas cidades de Chapecó e Videira nesta semana. As UTIs para tratamento de adultos com Covid-19 também tiveram a prorrogação de habilitações nas cidades de Chapecó, Florianópolis, Joaçaba, Joinville, Lages e Xanxerê. Nos últimos dias, SC apresentou crescimento de novos casos diários.

Aulas
A Procuradoria-Geral do Estado pediu que a Justiça reconsidere a decisão que suspendeu o retorno das aulas presenciais na rede pública e estadual de ensino. O recurso foi a pedido da governadora Daniela Reinehr (sem partido), que justificou a suspensão das aulas como “privação” da livre escolha das famílias. A governadora nunca escondeu seu posicionamento sobre a pandemia e já disse ser contrária ao isolamento total.

Moluscos
Na sexta-feira, 20, a Secretaria de Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural anuncia a liberação de todas as áreas de cultivo de moluscos em Santa Catarina. Agora, está permitida a retirada e comercialização de ostras e mexilhões e seus produtos, inclusive nos costões e beira de praia no litoral catarinense. A liberação total ocorre
após três meses de consecutivas interdições devido à presença de toxina diarreica acima do limite permitido nos moluscos.

Pandemia
O pior momento da pandemia ainda pode estar por vir. A previsão do professor Lúcio Botelho, da UFSC, é de que se nada for feito para parar a transmissão do coronavírus o número de casos e mortes continuará subindo. “Depois de julho houve uma queda e o pessoal achou que tudo tinha voltado ao normal”, em entrevista ao Estadão. Botelho diz que a falta de exemplo das autoridades faz com que o próprio cidadão não assuma as suas responsabilidades.

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