Coluna Pelo Estado – Ressaca de Moisés e o ensaio de um contragolpe

Após o resultado do plenário aprovando a continuidade do processo de impeachment, o governador Moisés se reuniu com seus aliados mais próximos na Casa D’Agronômica onde teve um dia longo de reuniões. A possibilidade de renúncia, ventilada pela imprensa, e que poderia surgir como um contragolpe para inviabilizar a chegada de Julio Garcia (PSD) à cadeira de governador, foi descartada por interlocutores próximos ao Governo. A ideia de que Moisés e Daniela estariam dispostos a renunciarem de seus cargos, enterrando assim o processo de impeachment e obrigando a chamada de eleições indiretas, seria um trunfo e ao mesmo tempo uma vingança contra o presidente da Assembleia.

O fato foi noticiado pela colunista Dagmara Spautz, no portal da NSC. A Coluna Pelo Estado repercutiu o assunto com pessoas próximas ao governo, mas as informações são contraditórias. Enquanto uns falam que a estratégia é factível, outros dizem que sequer foi cogitada. A votação do impeachment demonstrou a fraqueza de Moisés no parlamento, onde conseguiu apenas seis votos a seu favor, o que tornaria praticamente irreversível o afastamento e consequente cassação. Com isso, Garcia assume o governo e dá as cartas para uma nova eleição, seja direta ou indireta. Até o momento, o presidente do Tribunal de Justiça ainda não se manifestou sobre a formação da comissão mista, que deve ser formada por cinco deputados e cinco desembargadores. O processo de impeachment foi protocolado na tarde de sexta no Tribunal e agora aguarda sorteio dos desembargadores para a formação da comissão especial.

Sim, nãoooo!
A deputada Paulinha (PDT), líder do governo Moisés, deixou o Plenário da Alesc de queixo caído ao votar sim pela aprovação do impeachment da vice-governadora, Daniela Reinehr (sem partido). Na verdade, Paulinha se enganou e, depois de levar alguns colegas parlamentares aos risos, o equívoco foi corrigido. ela votou não, tanto no afastamento de Reinehr quanto no de Moisés.

Dia para esquecer
A vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido) cometeu um tremendo erro de cálculo indo presencialmente a votação do impeachment na Alesc. Na histórica sessão, a vice recebeu a enxurrada de reclamações dos parlamentares ao vivo, em especial as contundentes palavras dos membros do seu ex-partido, o PSL. Ana Campagnolo e Jessé Lopes foram os mais incisivos e dirigiram a fala diretamente a vice em seus votos. A votação para afastá-la foi acachapante. Enquanto Daniela ouviu tudo in loco, Moisés estava em casa, entre goles, risos e choro.

Compostura
Não se deve tripudiar em cima de um cadáver, pois configura vilipêndio. Não se deve abusar e zombar do outro, pois é falta de educação e respeito. E os parlamentares, figuras públicas que são, devem honrar a posição que ocupam. O deputado Kennedy Nunes (PSD) não conseguia esconder sua alegria com o afastamento de Moisés e Daniela. É seu direito comemorar o resultado sem medo de ser feliz, mas, no dia da votação, Kennedy exagerou. Na antessala do Plenário brincou que estava usando a máscara da Tiazinha. Por que tanta alegria? É preciso tripudiar tanto assim deputado?

Setembro Amarelo
Na quarta-feira (23/9) será realizado o último dos três eventos online alusivos ao Setembro Amarelo promovidos pelo Ministério Público de Santa Catarina que, neste ano, tem a temática “Distantes, mas juntos” e debate medidas preventivas em tempos de pandemia. O evento será transmitido pelo canal do MPSC no YouTube a partir das 15h.

Pegou mal
A denúncia do site The Intercept que mostrou uma possível relação de indicação de cargos por dois desembargadores do Tribunal de Justiça no governo de Raimundo Colombo (PSD) não é nada boa para a imagem do Judiciário catarinense às vésperas de formar a comissão mista para o impeachment de Moisés e Daniela. Eles negam terem feito as indicações.

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