Vida que segue, nós que nos adaptemos por Isabela Toscan Mitterer Berkembrock

Você também tem se sentido estranho ultimamente? Como se nada estivesse acontecendo e ao mesmo tempo, tudo estivesse acontecendo? Também tem sentido saudade de uma rotina na qual tivéssemos perspectiva do futuro? Tem se sentido ansioso, angustiado, deprimido e com falta de ar sem saber exatamente porquê? Tem se sentido acelerado e insatisfeito, tem sentido gratidão, confusão ou inquietação?

Nessa pandemia, com todas as mudanças impostas por ela, perdemos a nossa ilusória sensação de controle, abrimos mão de algumas das nossas liberdades para manter nossa segurança, nos deparamos com as nossas diferenças e estamos sem uma rotina, que é o que – tal qual crianças – nos deixaria tranquilos do que aconteceria na sequencia. Enquanto alguns permanecem no medo paralisante, outros entraram em negação pra poder continuar seguindo a vida – seja por vontade própria ou por necessidade.

Nosso cérebro entrou em modo de sobrevivência: mecanismos de defesa psicológicos complexos têm feito parte do nosso cotidiano de maneira praticamente consciente – optamos por um ou por outro para lidar com as nossas mazelas emocionais. Medo, raiva, nojo e tristeza são emoções base que nos ajudam a sobreviver. Não é mais apenas a saúde física que está em pauta, mas nossa saúde emocional e psicológica. São nossas relações, nossas falhas e nossas inquietações sobre a vida.

A ansiedade assumiu seu posto no esquema de sobrevivência, como tem acontecido há milênios desde o surgimento da humanidade, nos alertando para todos os pequenos ou grandes perigos e problemas que podem afetar nossa vida e nosso bem estar, trazendo à tona medos antigos ou novos e nos deixando “ligados”, preocupados e acelerados.

Aqueles problemas que deixamos para depois e “empurramos com a barriga” por um longo período já não aceitam mais ficar ali escondidos enquanto nos pomos – consciente ou inconscientemente – a pensar na brevidade da vida e na possibilidade da morte. Será que deveríamos deixar pra resolver depois aquele problema, aquela discussão, aquela decisão, aquele plano? Será que aquela crença que ficou escondida por tanto tempo consegue ficar ali quietinha mais um pouco?

E assim vamos vivendo o luto da nossa vida “normal” perdida e tendo que nos adaptar a uma nova rotina, da qual não sabemos quando sairemos. E como qualquer situação envolvendo luto, vivemos de fases, de momentos, de saudades… Vamos nos alternando entre reações diversas: do medo à negação, do relaxamento à tensão, da alegria à ansiedade, do alívio à culpa, da ansiedade à tristeza. A habilidade de lidar com as nossas emoções, relações e reações tem sido posta à prova, juntamente com nosso nível de autocuidado.

Vamos valorizando as nossas relações como nunca, e aprendendo a sermos gratos por aquele cotidiano singelo e rotineiro, do qual reclamávamos antes (faz mesmo apenas 5 meses?). Não tem segredo para aprender a lidar com essa situação… o passo a passo é respirar fundo, exercitar a paciência, adaptar aquilo que pode ser adaptado e tratar aquilo que você sente que te machuca. É lidar com um dia de cada vez e continuar seguindo com a vida, para sairmos dessa pandemia de maneira melhor do que entramos.

Isabela Toscan Mitterer Berkembrock, psicóloga, terapeuta EMDR, Mestra em Educação, especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, facilitadora do Programa de Educação Emocional Positiva e idealizadora do Programa RealizAção.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *