Caipirinha surgiu como remédio

Foto Reprodução Gourmet Brasília

A caipirinha é a chamada bebida típica brasileira. A mais famosa, ao lado da cachaça, mas como drink é a bebida típica do nosso País, conhecida internacionalmente. Mas ela surgiu com outra intenção. Era usada como remédio para combater gripe e também como antigripal.

Embora seja a bebida mais conhecida do Brasil, não existe uma literatura farta sobre a caipirinha e nem registros formais de como ela surgiu. Por localização histórica, consegue-se situar a origem da caipirinha no interior do Estado de São Paulo, onde ela era uma poderosa arma contra os resfriados. O curioso é que dessa mistura que a gente conhece hoje, do limão amassado, açúcar e gelo com a cachaça, somente o açúcar e o gelo continuam sendo usados na forma original.

A receita se sofisticou e no mundo inteiro a caipirinha ganhou novas versões, sabores e ingredientes. A cachaça já foi substituída pela vodka e pelo rum em várias receitas. Em outras, o limão deu lugar a frutas mais tradicionais como morango, maracujá.

CAIPIFRUTA

Eu já tomei caipirinha feita com lima e saquê, por exemplo. Mas é óbvio que são sofisticações da receita, porque caipirinha mesmo é com pinga, limão, açúcar e gelo. A versão mais estranha que eu conheço é de saquê com lichia. Eu acho que não tem nada a ver. Isso não é caipirinha. Os bartenders, baristas e barmens inventam muito. Saquê com lichia, na minha opinião é um drink oriental e qualquer fruta com cachaça, açúcar e gelo eu classifico como outro nome: capifruta. Porque caipirinha é com limão e só.

Outro dia eu li que em vários bares da moda estão fazendo caipirinha de carambola com manjericão; laranja, jabuticaba e muitas vezes frutas esquisitas misturadas com vodka. Chamam de caipirinha, mas são outros drinks.

A primeira caipirinha tinha concentração forte de limão e cachaça, pra fazer o sujeito transpirar e curar a gripe. Essa fórmula foi criada por um médico, no Caribe, no século 17 e era oferecida a pacientes com gripe e feita com rum e limão. As pessoas transpiravam muito, a febre baixava e começava a expectoração, o que melhorava a respiração dos pacientes.

DECRETO

Como drink, a tradicional é feita com cachaça, limão taiti (aquele verdinho e que não se descasca), açúcar e gelo. No Brasil, é servida na maioria dos bares e restaurantes. E tem um detalhe importante na caipirinha, que faz uma enorme diferença. Para que ela seja realmente deliciosa, tem de ser feita individualmente, copo a copo.

E ela também deve ser servida no copo em que é feita. Mas muita gente usa coqueteleira para misturar os ingredientes. Isso faz com que a bebida fique uniforme, perca a interação dos ingredientes, que são melhor ajustados quando se faz manualmente.

É tão importante manter a caipirinha intacta, que em 2003 a presidência da República baixou um decreto para definir a caipirinha como bebida: “Caipirinha é a bebida típica brasileira, com graduação alcoólica de quinze a trinta e seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida exclusivamente com cachaça, acrescida de limão e açúcar.”

Mas em Maringá, no Paraná, ela tem outro nome. Lá a caipirinha é chamada de chimboca e leva mais açúcar e menos álcool.

HARMONIZAÇÃO

E para harmonizar? Tradicionalmente, a feijoada é a comida para a caipirinha. Por questões culturais são comida e bebida intimamente ligadas, embora tenham surgido em épocas bem diferentes.

Mas existem outras combinações. A acidez do limão e o doce do açúcar harmonizam muito bem com salgadinhos fritos e carnes com gorduras. Por isso é que se sugere caipirinha com feijoada. Mas você pode combinar perfeitamente com um cupim, que é carne bem gordurosa, quibes fritos, costela, petiscos fritos, por causa do óleo e até com caldos fortes.

A regra aqui é parecida com a do vinho. O limão vai comandar o equilíbrio da acidez do prato e a cachaça vai amenizar a gordura.

Fonte Gourmet Brasília

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