Sábado Choverá, por Jaime Telles

Vejo a rua seminua
A avenida desnutrida
E a esquina distraída.

Logo, um poste sem assunto
Sem ninguém prá ficar junto
Lança algum olhar além

O semáforo pisca prá ninguém
Sincronizado, outro também
Folhas dançam em torvelinho

Bambas pernas sem caminho
Disputando espaçozinho
Nunca vi tanta parede.

Corro o dedo, varro a rede
Prá curtir e comentar
Só prá “ver” o tempo passar.

Uns preferem sol ardente
Outros chuva em torrente
Polarizam por osmose

Outro prato, outra dose
Com algum quilinho a mais
Mais um dia, tanto faz

Preto-branco, claro-escuro
Outros em cima do muro
Sem saber no que vai dar

O dinheiro espera a vez
O trabalho é um talvez
Quantos dias isso vai?

Gente indo, gente vindo
Aquilo era tão lindo
E a gente nem notava

Mas a chuva está voltando
Vai limpar o que está mofando
E a alegria devolver

Com crianças a correr
A nona chacoalhará o avental
Já pisando seu quintal

Um espirro, atchim!
Deus te crie e segue assim
Neste mundo tão pequeno

Um sorriso bem sereno
Contrapondo algum veneno
Coisa triste de além mar

Cada qual em seu malhar
Impedindo dor maior
Santo remédio, santo suor.

Alguém liga o motor
Aquele ronco, por favor
Maquinário a bufar

Vem aqui pegar seu troco
Nesta lida de tão pouco
Já é tempo de sorrir

Ao doutor digo obrigado
Lavo as mãos, saio lotado
Temos muito por fazer

Pé na bunda desse tédio
Descobrimos que o remédio
Estava ali, bastava ver

E depois desse aprender
Sei melhor por onde vou
Porque o gigante acordou.

Por Jaime Telles – Joaçaba

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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