Como manter a saúde mental na quarentena

Por Isabela Toscan Mitterer Berkembrock, psicóloga 

E aí, como anda sua saúde mental na quarentena? Já identificou o que tem feito bem, o que tem feito mal e o que você ainda pode fazer? Em época de coronavírus e isolamento social, nossa saúde mental é elemento chave para manter o sistema imunológico preservado, a paz e a qualidade das nossas relações.

Estudos conduzidos na China e na Itália tem comprovado um aumento nos índices de violência doméstica, crises depressivas e ansiosas, nos índices de divórcio e um discreto aumento nos casos de suicídio…

Esse período em casa tende a expor conflitos familiares, pois nos obriga a conviver com nossos familiares mais intensamente; propaga pensamentos negativos, pois nos faz ficar em contato com informações e redes sociais e o excesso de informação pode nos gerar ansiedade e favorecer distorções de pensamento  especialmente a catastrofização e o filtro mental negativo; põe em cheque nossa liberdade de ir e vir e nossa liberdade de escolha; nos tira da rotina, eleva nossos níveis de estresse e diminui os exercícios físicos que praticamos…

Além disso, esse período em que a limpeza é muito exigida de nós pode fazer surgir ou exacerbar comportamentos obsessivo-compulsivos como necessidade de limpeza constante, e aumentam os casos de somatização, no qual apresentamos sintomas corporais causados pelas emoções, como a ansiedade e o medo.

É um período de incerteza no qual nos pré-ocupamos e nos ocupamos com várias coisas: política, economia, saúde, higiene, família, religião, crenças, humor… Promovemos estigmas e nos prendemos a pequenos detalhes que seriam insignificantes na correria do dia a dia…

Estudo publicado na revista britânica Lancet afirma que a quarentena forçada parece gerar mais sintomas do que a quarentena voluntária e que efeitos psicológicos negativos da quarentena podem incluir estresse pós-traumático, confusão e raiva, ansiedade, frustração, tédio e medos: de infecção, de escassez, de perdas financeiras ou de pessoas queridas, do estigma.

Mas apesar dos efeitos negativos de uma quarentena, ela também pode gerar efeitos positivos: você pode aproveitar para reorganizar sua rotina, decidir como desfrutar seu tempo, fazer aquelas atividades há muito deixadas para trás e passar mais tempo de qualidade com quem você ama.

Apesar da distância, também nos aproximamos… nos unimos, nos ajudamos. Nos preocupamos com o próximo (ainda que por interesses egoístas)…

A pandemia tem trazido à tona o melhor e o pior da humanidade… ouso dizer que o melhor ainda está ganhando… há muito eu não via tanta colaboração entre as pessoas… temos aprendido que a tecnologia não é suficiente pra matarmos a saudade de quem amamos, que existem meios de se estar presente ainda que ausente, que a vida é uma corrente e o que um faz afeta a todos, que dinheiro não compra saúde, que podemos ter o que sempre quisemos – tempo – e muitas vezes não saberemos o que fazer com ele. Aprendemos que a desigualdade, a corrupção e a precariedade econômica pode ser uma “tsunami” na vida e no bolso de todos… estamos em processo de aprendizagem sobre generosidade, empatia, respeito, dignidade, disponibilidade e ajuda… estamos em processo de aprendizagem sobre humanidade…

Pra frear o movimento ruim na saúde mental, precisamos uns dos outros e precisamos nos concentrar no momento presente e não tanto no que pode-vir-a-ser. A OMS divulgou um guia para que cuidemos da nossa saúde mental nesse período… que tal algumas dicas?

1 – Controle o tempo para consumir informações sobre o assunto e cuide com fake news.

2 – Use as redes sociais para manter contato com quem você ama.

3 – Pratique solidariedade ajude como puder… muitas vezes, apoio ou conversas online ajudam muito.

4 – Se cuide: se alimente medite, pratique exercícios dentro de casa pratique hobbies.

5 – Reconheça o trabalho de quem não pode para eles são muitos e também têm medo.

6 – Espelhe histórias positivas desse período.

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