Doação de órgãos: seis respostas sobre transplantes que salvam vidas

Mais de 19 mil pacientes foram transplantados no Brasil entre janeiro e setembro de 2019, número ainda é inferior ao de pacientes que esperam por procedimentos, segundo dados mais recentes da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Foto Reprodução G1/Ciência e Saúde/Thiago Gadelha/Arquivo

Entre janeiro e setembro deste ano, ao menos 19.331 pacientes tiveram órgãos, tecidos ou medula óssea transplantados no país. Essa cifra não chega à metade dos brasileiros que ainda esperam por um transplante. De acordo com o último levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), são 36.468 pacientes na lista de espera.

O tema ganhou destaque após a morte do apresentador Gugu Liberato, cuja família decidiu autorizar a doação dos órgãos nos EUA.

Entenda o transplante e doação de órgãos em seis pontos: 1. Há dois tipos de doações possíveis, a de doadores vivos ou a doação após a morte; 2. Em caso de doação após a morte, no Brasil, é obrigatória a autorização da família; 3. Santa Catarina e Paraná são os estados com maior número de transplantes no país; 4. Órgãos retirados têm tempos variáveis de espera máxima para o transplante; 5. O transplante de rins é o transplante de órgãos sólidos mais realizado no país; e 6. A Espanha é o país com maior número de doações de órgãos no mundo.

1. TIPOS DE DOADORES

Segundo o Ministério da Saúde, existem dois tipos de doador, o primeiro é o doador vivo, que pode ser qualquer pessoa que concorde com a doação, contanto que este procedimento seja seguro. Um doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão.

O presidente da ABTO, Paulo Pêgo, disse ao G1 que este tipo de transplante ainda representa a menor parcela dos procedimentos realizados no país, ficando entre 5% e 7% de todos os realizados no Brasil.

A maior parte dos transplantes é feita com doadores falecidos, em pacientes que tiveram morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Pêgo explicou que a morte tem que ser verificada pela equipe médica e comprovada clinicamente a partir de exames laboratoriais.

2. AUTORIZAÇÃO DA FAMÍLIA

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a doação de órgãos só é feita no Brasil após a autorização familiar e os órgãos são enviados para pacientes que esperam em uma lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

A pasta ressaltou em um comunicado que a “conversa” é importante e recomendou que se converse sobre a doação ainda em vida. Destacou ainda que mesmo que o doador registre oficialmente sua vontade, ela apenas será validada – sem a autorização familiar – em caso de decisão judicial.

3. ESTADOS COM MAIS TRANSPLANTES

Segundo o levantamento da ABTO, os estados de Santa Catarina e Paraná foram os que mais acumularam doadores a cada milhão de habitantes. Foram respectivamente, entre janeiro e setembro de 2019, 44,5 e 41,4 por milhão.

Pêgo explicou que os dois estados aparecem “tradicionalmente” entre os maiores doadores. Para ele, essa é uma “questão cultural”. Por outro lado, o especialista comentou que a homogeneidade dos estados e as pequenas extensões contribuem para a captação e distribuição dos órgãos na região.

“Há quatro ou cinco anos, o Paraná não tinha tantas doações assim, mas eles mudaram a forma de lidar com este problema e as doações aumentaram significativamente”, ressaltou.

4. TEMPO ‘FORA DO CORPO’

O Ministério da Saúde listou o tempo de isquemia, ou seja, o tempo que cada órgão pode sobreviver fora do corpo humano antes de um transplante. Os rins conseguem se manter por até dois dias antes de serem transplantados, o coração, apenas quatro horas.

Tempo de isquemia: Coração (4 horas); Pulmão (4 a 6 horas); Rim (48 horas); Fígado (12 horas) e Pâncreas (12 horas), segundo o Ministério da Saúde

5. TRANSPLANTE DE RINS

No Brasil, o maior número de transplantes de órgãos foi o de rins. Em nove meses deste ano, 4.617 pacientes foram transplantados e essa é a tendência é mundial, explicou Pêgo.

“A demanda de transplante de rins é muito alta, e o receptor não morre durante a espera por conta da diálise”, disse este especialista. “Pacientes que esperam por um coração ou por um pulmão têm mais chances de morrer na fila.”

O médico comentou que este órgão tem maior resistência após a morte encefálica e que cada doador pode atender a dois pacientes.

6. ESPANHA É MAIOR DOADOR

A Espanha é o país que teve em 2018 o maior número de doações de órgãos a cada milhão de habitantes e atingiu uma taxa de 48,3 doadores por milhão. Dados da Organização Espanhola de Transplantes, entidade vinculada ao Ministério da Saúde do país ibérico, os coloca acima da média dos por Estados Unidos (32,8) e da União Europeia (22,2).

“Os espanhóis são referência para a doação de órgãos, com os maiores índices do mundo. E isso pode ser explicado por várias formas, como por exemplo a legislação local que institui a doação compulsória, caso o paciente não tenha se posicionado contra em vida”, disse Pêgo.

Fonte G1/Ciência e Saúde

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