Dom Pedro I inventou o “Frango a Passarinho”

Nosso “libertador” gostava de comer a ave frita e em pequenos pedaços. Ele frequentava uma taberna onde sempre pedia uma cachaça com esse tira-gosto, que os populares passaram a chamar de “o frango tipo passarinho do Imperador”

Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

Arroz com feijão e frango a passarinho! Esse era o prato predileto de Dom Pedro I. Como este sábado será 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil proclamada por ele em 1822, resolvi falar disso na coluna desta semana. Comida de rei, geralmente, é sofisticada, mas o nosso “libertador” não era chegado à mesa granfina.

A comida dos palácios reais é mais refinada, mas Dom Pedro I era arredio, matuto e não gostava do cardápio servido no palácio. Isso, já, desde Portugal. E quando ele chegou aqui no Brasil, com 11 anos, descobriu a rua de vez. Aí se enturmava com os serviçais e com os escravos e aprendeu a comer arroz, farinha, feijão, os legumes e verduras do Rio de Janeiro, couve, taioba e o frango partido em pequenos pedaços e frito, para comer com a mão, que hoje chamamos de frango à passarinho.

Isso mesmo! Dom Pedro I inventou o “Frango a Passarinho”. Nosso “libertador” gostava de comer a ave frita e em pequenos pedaços. Ele frequentava uma taberna onde sempre pedia uma cachaça com esse tira-gosto, que os populares passaram a pedir como “o frango tipo passarinho do Imperador”.

O Arroz também fazia parte do cardápio da Família Real mas, na mesa de Dom João VI predominavam as carnes, principalmente o frango assado e o cordeiro. Dom João adorava frango e de todas as formas. Praticamente ele tomava canja todos os dias à noite. Adorava frango assado e cozido. E essa predileção do rei pelo frango chegou a tamanho exagero que, em 1819, a Casa Real mandou apreender todos os frangos do Rio de Janeiro.

Na verdade, a rede de corrupção que reinava no submundo da Corte, muito alimentada pela rainha Carlota Joaquina (na foto com D. João VI) que tentava a todo momento derrubar o marido do trono, armou uma situação para ganhar dinheiro com o frango. Confiscando as aves, eles passaram a ceder lotes de frangos do Armazém Real mediante suborno. E assim, muita gente quebrada entre os nobres conseguiu fazer um dinheirinho.

DOCE
Já a Carlota Joaquina, não era tão chegada a comida salgada, ela tinha preferência por cachaça. A rainha comia menos. Carlota Joaquina gostava de misturar aguardente com frutas e usava a cachaça também para conservar alimentos. O paladar da rainha tendia para o doce e ela comia muita fruta fresca e compotas de doces feitos das frutas brasileiras, além da pinguinha. Ela gostava de goiabada!

O banquete da Família Real tinha, em média, 24 pratos, 12 para Dom João e 12 para Carlota Joaquina. Eles não viviam juntos, cada um tinha seus aposentos no palácio. Mas os cardápios eram parecidos e incluíam dois tipos de sopa (a preferida do rei era canja de galinha), um cozido, um arroz, quatro guisados, dois assados e duas massas, além de fruta, pão, queijo e doce. Dom João se apaixonou pelos ingredientes brasileiros e depois de comer tudo isso, incluindo uns três frangos, costumeiramente ele ainda apreciava cinco mangas.

BOA DE GARFO
Dom Pedro I também comia bem, mas preferia arroz com feijão e mandioca ou farinha. Engraçado é que Dom Pedro I casou- se em 1818 com Dona Leopoldina e teve de comer algumas iguarias que a princesa europeia trouxe para o Brasil. Na bagagem dela tinha salmão, atum, pescada, carne de porco, ervilha, feijão verde, alcachofras em azeite e bacalhau. Dom Pedro reclamava quando tinha que comer isso.

Quando você pesquisa o cardápio de Dom Pedro I também descobre que ele gostava de sopa como o pai. Mas o caldo preferido de Dom Pedro era feito com carne, alho, pimenta e verduras. Ele também apreciava toucinho feito de carne de porco salgada e com muita gordura. Esse prato era servido com arroz, batatas inglesa ou doce, pepinos cozidos e carne assada. Ele comia tudo misturado ou arrumado separadamente no mesmo prato. E aqui cabe uma observação. Dois pratos da nossa culinária popular são muito parecidos com essa mesma formatação criada por Dom Pedro I: Baião de Dois e Arrumadinho.

MACARRÃO
Os descendentes do nosso primeiro imperador seguiram, de certa forma, esse apreço pela mesa farta. Maria da Glória, filha de Dom Pedro, gostava de galinha ao alho e óleo, também no estilo frango à passarinho (foto). Já o filho, Dom Pedro II, adorava macarrão. Ele foi o responsável, em 1838, pela introdução das massas italianas no cardápio brasileiro. Principalmente o talharim. E a filha dele, a Princesa Isabel, neta de Dom Pedro I, era muito gulosa. Adorava doces de ovos, sorvetes e não resistia a um pão-de-ló acompanhado de chá. Isso sem falar no bacalhau, o peixe preferido dela.

Na sobremesa da família real, ao contrário do que se poderia imaginar, uma sobremesa simples era a mais apreciada. Pompadur, um doce típico do século 19, chamado de fatia dourada na Corte e que a gente conhece pelo nome popular de rabanada, era o preferido de Dom João e Cia.

CACHAÇA
A bebida predileta de Dom Pedro I era a cachaça. Como a mãe, ele gostava de uma água ardente. Essa era a bebida mais pedida por ele nas tabernas, mas também apreciava cerveja e o vinho. A cerveja era uma bebida nova no Brasil, chegou um pouco antes da Família Real, no final do século 18. O vinho já era costumeiro no copo do imperador até pela tradição portuguesa, mas Dom Pedro I gostava de enaltecer os produtos brasileiros, dizia que a família real tinha que comer o que se plantava e criava aqui e, nessa linha, ficou amigo da cachaça.

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