RealizAção: Egoísmo ou Autocuidado? por Isabela Mitterer

Você já ouviu falar do princípio da máscara de oxigênio? AO descrever os procedimentos de emergência no avião um dos cuidados citados sobre a máscara de oxigênio é o de que, ao sentar próximo de pessoas que dependam de você, você coloque a máscara primeiro em você, depois no dependente. Porque você não ajuda ninguém se você estiver mal, ou morto…

Muitos de nós assumimos papéis de cuidadores de gente – mães, pais, irmãos, filhos, sobrinhos, netos, amigos. Assumimos responsabilidades frente aos nossos vínculos. Ou como dizia o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry: “tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas”. Cuidadores, de maneira geral, dão prioridade aos outros. A características essencial ao cuidado é a empatia, que faz com que nos coloquemos no lugar do outro. Ela pode ser afetiva (entender como o outro se sente) ou cognitiva (entender como o outro pensa).

Empatia, para mim, é sinônimo de bondade, gentileza, cuidado. A maior dificuldade que pessoas empáticas tem é de separar o que é delas do que é dos outros: responsabilidades, emoções, pensamentos. Se esse processo de separar “meus e teus” não é feito de maneira adequada, a pessoa sofre muito mais do que o normal, carregando a vida do outro consigo.

Isso é ruim, tanto para a pessoa, quanto para quem ela está tentando ajudar, pois ao assumirmos responsabilidades pelo outro e fazermos o que o outro deveria fazer, nós tiramos dele também o aprendizado, a autonomia e a capacidade de desenvolvimento. Tantas vezes, também deixamos de efetivamente fazer o nosso papel, fazendo o papel do outro.

“Então devo abandonar a pessoa, Isa?” Não, em absoluto!

O ideal, para não sobrecarregar o cuidador e permitir ao outro esse aprendizado, é analisar o que efetivamente depende de você e é responsabilidade tua – fazer, orientar, apoiar, aconselhar – e o que é responsabilidade do outro… e acompanhar esse processo de perto, estando pronto para ajudar a levantar, a corrigir o rumo, e para comemorar…

Entenda que não estou dizendo que isso é fácil… é um exercício: às vezes vai ser mais fácil, em outras, nem tanto… mas temos que tentar, para o bem da saúde mental de todos os envolvidos.

Afinal, importar-se não é tirar o peso do ombro do outro, mas sim ajuda-lo a carregar, dividir o peso… Não é mais justo para todos se for assim?

Isabela Toscan Mitterer Berkembrock
Psicóloga CRP 12/10872 | Terapeuta EMDR
Mestra em Educação
Esp. Psicologia Organizacional e do Trabalho
Life Coach
Facilitadora do Programa de Educação Emocional Positiva
Idealizadora do Programa RealizAção
E-mail: isamitterer@hotmail.com
Telefone: (49) 98437-9064

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