Vale à pena decantar um vinho?


É necessário mesmo decantar os vinhos com mais de quatro anos? E quando é necessário decantar um vinho.

Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

Isso é polêmico!

Existe uma corrente que acha que todo vinho com mais de quatro anos deve ser decantado por, pelo menos, meia hora. Outra linha, já diz que isso é uma bobagem, que se você esperar de três a dez minutos na taça um vinho já fica bom para ser consumido.

Eu discordo das duas e de uma terceira, que é citada pela Jancis Robinson, a maior especialista de vinhos da Inglaterra, que acha que os vinhos arejam ao se abrir a garrafa e que só vinhos muito antigos ou que não foram filtrados merecem ser decantados.

A decantação é a respiração, depuração, arejamento do vinho. Para isso, se usa um decanter, aquela garrafa com bojo largo e pescoço fino que você vê nas lojas de cristais, de vinhos e de produtos do lar e que muita gente acha que é um vaso estilizado para flores. Já vi em muitas casas decanter sendo usado como vaso de flor e decorando a mesa da sala, inclusive na casa da minha querida mãe (que obviamente tratei de trocar por um jarro de flor e peguei o decanter pra mim).

AROMAS E SABORES
Falando simploriamente, o vinho quando é elaborado agrega aromas e sabores das uvas, que numa reação química dão a característica de cheiro e paladar. Quando ele é engarrafado, esses aromas e sabores se fecham, ficam compactados, digamos assim. Ao se abrir a garrafa de vinho, e permitir o contato com o ar novamente, aquele líquido recupera suas características originais. Isso faz o vinho exalar aromas de frutas, flores, minerais, animais, etc…

Quando ele é muito ácido (provocando saliva excessiva) e muito tânico (travando a boca como se você tivesse comido caju), o arejamento ou decantação ajuda a melhorar a degustação desse vinho. Essa é uma hipótese para decantar o vinho. Alguns enólogos acham que uns 20 minutos são suficientes para se abrir um vinho com quatro a seis anos. Eu já deixei vinho de 8 anos decantando por uma hora. Mas isso depende da estrutura do vinho.

Geralmente, o vinho vendido nas lojas e supermercados, para consumo rápido, tem no máximo dois anos. São vinhos jovens, que não precisam ser decantados. A não ser que estejam muito ácidos.

Hoje, a maioria, mais de 90% dos vinhos, são filtrados. E, por isso, segundo a corrente liderada pela Jancis Robinson, não precisam ser decantados. Os mais conservadores alegam que a decantação surgiu para jogar as borras e demais impurezas do vinho para baixo e impedir que a gente beba aquilo. Por isso, defendem até hoje que todo vinho mais velho deve ser decantado. Outra corrente acha que o arejamento, ou seja, o contato prolongado do vinho com o ar antes de beber, melhora a bebida e que isso também é uma situação para decantar o vinho.

RESPIRAÇÃO
Antigamente, os vinhos não eram filtrados e aí você precisava decantá-los, para baixar as impurezas, cristais e borras da bebida para o fundo do recipiente. Hoje, já se pensa mais na respiração do vinho. Mas isso vai muito do ritual de cada um e do vinho que você vai beber.

Então, a resposta sobre a decantação, ao meu ver, deve ser:
1. Se o vinho for jovem, com dois anos ou menos, não precisa decantar.

  1. Se tiver mais de quatro anos, você pode optar entre usar o decanter ou abrir a garrafa dez minutos antes de servir e deixá-lo respirar.
  2. Se for um vinho de dez anos, decante sim, por uns 30 a 40 minutos. Com isso você pode evitar que borras do vinho venham à sua taça.

Mas beba com moderação e procure se informar ao comprar ou pedir vinho em restaurante. Não tenha vergonha de conversar com o sommelier. Mesmo que você saiba muito, com certeza, sobre aquele produto ali à venda ele vai saber mais que você. Não faça como um grupo de “especialistas” liderados por um italiano que mora em Brasília e fala mal até dele mesmo. Esse grupo, que “sabe tudo”, não soube diferenciar uma garrafa de D.V. Catena Malbec Malbec de uma Nicolás Catena. E achando que estava bebendo um vinho de R$ 100, foi obrigado a pagar R$ 750 por garrafa (e beberam 5 delas!) na mesa do Dom Francisco da 402 Sul. E isso só ocorreu porque o italiano adimirador de Baco, boca e Dionísio achou que sabia mais que o garçom e o sommelier, inclusive mandando eles voltarem com a garrafa de Angélica Zapata (“essa é muito cara!”).

 

Beba vinho, mas seja humilde!

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