RealizAção: A timidez e o perfeccionismo, por Isabela Mitterer


Isabela Mitterer Berkembrock – Psicóloga CRP 12/10872. Life Coach, Mestra em Educação, Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, Idealizadora do Programa RealizAção. E-mail: isamitterer@hotmail.com. Telefone: (49) 98437-9064.

Você já deve ter ouvido falar que o gramado do outro é sempre mais verde do que o nosso… e também deve ter ouvido falar que feito é melhor do que perfeito… Além disso, recentemente, as redes sociais tem sido inundadas pela reflexão de que timidez é uma das faces do orgulho… São várias as percepções sobre quem tem determinadas características… e se você é tímido(a), pode ter pensado “como assim? Além de sofrer com a timidez, ainda sou taxado(a) de orgulhoso(a)?!”

Estima-se que 30 a 50% da população seja introvertida, mas acabam buscando recursos para não sofrer tanto com a exposição e interação social, que é supervalorizada na nossa sociedade. E existe uma diferença importante entre timidez e introversão: o sofrimento com a interação social.

Introversão é uma característica pessoas que gostam de ficar sozinhas, são mais reflexivas, preferem estar em ambientes calmos, e fazer atividades que envolvam profundidade. Isso porque o cérebro dos introvertidos é mais sensível à dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar, e situações muito estimulantes podem deixa-los esgotados, mas são perfeitamente capazes de interagir. Já a timidez está relacionada com medo de ser julgado, nervosismo e ansiedade. Ou seja: se você prefere ficar só, mas interagir com outras pessoas – principalmente desconhecidas – não te faz sofrer, está tudo bem.

Mas se você sofre com a timidez, reflita comigo: qual o motivo que faz você sofrer em interagir socialmente, comunicar-se, expor-se? Vergonha, medo de ser julgado, sensação de que não está fazendo o suficiente? Estes, normalmente, são os motivos pelos quais as pessoas me procuram com demandas sobre a timidez.

Esses motivos podem estar relacionados com o perfeccionismo, com a impressão de que se não estiver perfeito como imaginamos, nós não entregamos, não fazemos, não nos expomos… que sempre vai ter alguém nos julgando e condenando por pequenos ou grandes erros. Que a vida do outro é sempre melhor do que a minha e o outro tem mais valor. É provável também que os tímidos sofram com distorções cognitivas (distorções no pensamento sobre si, sobre os outros e sobre o futuro), e supervalorizem as probabilidades negativas. Isso está relacionada com crenças também distorcidas sobre nós, sobre o outro, sobre o futuro… Frequentemente, os tímidos têm dificuldade para me informarem quais os seus pontos fortes e qualidades, porque estão concentrados no que não está da forma como imaginavam ser perfeito.

Se você pensa assim, você não está sozinho(a). E a boa notícia é que as coisas nem sempre são como imaginamos… o gramado do outro não necessariamente é mais verde… e quando experimentamos nos expor, descobrimos muitas vezes que feito é melhor do que perfeito e existem muitas pessoas que nos admiram e se inspiram em nós. Que temos coisas muito boas a oferecer… do nosso “jeitinho”, que precisa ser valorizado e respeitado.

E de uma psicóloga que já foi muito tímida para os tímidos de “plantão”: que tal desafiar os teus medos, diminuir o sofrimento cotidiano e espalhar o que você tem de melhor por aí?

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