Para brindar na Quaresma, saiba que peixe de rio vai melhor com Chardonnay

O vinho branco mais encorpado vai combinar com as espécies mais gordurosas, principalmente se o prato for servido cozido ou frito

Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

Estamos na Quaresma, época em que, tradicionalmente, se consome mais peixes no ano. E peixe chama vinho. De preferência, vinho branco. A uva Chardonnay é uma coringa entre os vinhos brancos, assim como a Cabernet Sauvignon, entre os tintos.

Foi isso que eu disse a minha vizinha. Conversávamos sobre peixes e o que melhor combinaria com pratos à base de peixes assados. E aí ela me perguntou se podia usar vinho branco da uva Chardonnay para todas as receitas. Eu disse a ela que, geralmente sim. Falávamos sobre peixes de água doce, que geralmente são mais gordurosos. Nesse caso, a minha vizinha tem razão em pedir o Chardonnay. De forma genérica, você pede o Chardonnay nas carnes brancas mais gordurosas, frango ou peixes, no salmão, no pintado, no pirarucu, no dourado que é o peixe mais saboroso dos rios brasileiros. Aqui em Joaçaba, pela grande produção regional, você pode fazer essa harmonização com a Tilápia. Mas observe se o vinho passou por madeira, porque este, com passagem por madeira, não harmoniza tão bem com a Tilápia.

Os nossos peixes de água doce do Centro-Oeste, do Pantanal, ordinariamente, sugerem vinho da uva Chardonnay e até com passagem por madeira.

Mas a conversa ficou boa quando ela sugeriu pintado ao molho de maracujá (foto acima). Aí eu falei que um Sauvignon Blanc combinaria mais. Mesmo sendo o pintado mais gorduroso, se for grelhado e com maracujá, a melhor harmonização é o Sauvignon Blanc, que tem aroma forte de maracujá e também de salsa, de limão e lima da pérsia. Ou seja, nesse caso, o vinho vai ajudar a temperar o peixe, literalmente falando. Só observe o seguinte: se o peixe for assado ou grelhado, cabe o Sauvignon Blanc. Mas se for frito ou cozido, tem de ser Chardonnay.

Já no caso dos peixes de carne escura, a harmonização vai  depender muito de onde você esteja. Eu arriscaria um Pinot Noir, mas também vale nesse caso a regra da Chardonnay amdeirado ou um vinho rosé. Mas há outras alternativas, dependendo do habitat do peixe. Falei disso ontem com meu amigo Luciano do Espírito Santo, lá de Brasília. Ele esteve na Patagônia argentina e me disse que comeu merluza negra. Luciano disse que vai repetir a experiência e eu recomendei que ele experimentasse dois vinhos daquela região e que são fantásticos com esse tipo de pescado e também com o salmão. Já experimentei os dois com salmão e ficaram ótimos. Um é o Pinot Noir Corte Del Fin Del Mundo e o outro é o Malbec A Lisa (foto), da Bodega Noemía. Todos dois ficam muito bem com esses tipos de peixes mais morenos.

A merluza negra (cuja carne é branca, veja na foto ao lado o prato e acima, o peixe) não é comum por aqui. É um peixe das profundezas, também conhecido como “bacalhau de profundidade”. Esses peixes nunca nadam a menos de 70 metros, no mar. Tem uma carne saborosíssima. É o peixe que os japoneses chamam de mero. Ele chega a 2 metros de comprimento e 130 kg e pode viver até 50 anos. Aliás, aqui vale uma informação importante sobre a merluza negra. É um peixe com elevado risco de extinção e só pode ser pescado em regiões determinadas, onde há corrente austral forte, como é o caso da Patagônia. O quilo dessa merluza no mercado negro pode chegar a U$ 24 (R$ 92 na cotação de ontem). Se você multiplicar por 100 kg, que é a média dela, o preço de uma merluza negra pode alcançar os R$ 9.200,00.

No caso específico da tilápia não arrisque, vá de Chardonnay. Mas o pacu, que tem carne leve e mineralidade no sabor, pode ficar melhor com Sauvignon Blanc, principalmente se for assado ou grelhado e com molho de ervas. Mas o importante é fazer o que indiquei para a minha vizinha: servir Chardonnay com todos, pela média das regrinhas de harmonização. Assim você não erra.

 

Tin-tin!

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