ENTREVISTA / JORGE ZAMONER – ACADÊMICOS DO GRANDE VALE

“Se conseguirmos entrar no plano da emoção e do prazer a gente ganha o Carnaval”

 Claudia Mota e Rodrigo Leitão
jornalismo@raizesdiario.com.br

Surgida em 2012, com acesso em 2015 e vice-campeão em 2018. O cartel de desfiles da Acadêmicos do Grande Vale é muito bom para uma escola de samba tão jovem e disputando os louros da Avenida do Samba com agremiações quarentonas da cidade. Este ano, a inspiração para o Carnaval é o Vale do Contestado e suas festas culturais, com as alas trazendo as manifestações de cidades como Treze Tílias, Piratuba, Videira, Tangará e Pinheiro Preto, numa grande homenagem aos eventos realizados na região. Nessa entrevista exclusiva ao RD Comunicação, o presidente e carnavalesco da escola, Jorge Zamoner, revela algumas novidades que irão para a Avenida do Samba, na XV de Novembro, em Joaçaba, no próximo dia 2 de março.

RAÍZES DIÁRIO – Qual foi o investimento para produzir o Carnaval da Escola este ano?
Jorge Zamoner – Este ano ainda não somamos custos e arrecadações, mas nosso investimento gira em torno de R$ 500 mil. Esse é um valor médio, porque a gente já tem uma base, vem o que a Liga consegue, cerca de R$ 200 mil que vem da prefeitura, se bem que este ano veio menos, porque são quatro escolas novamente. Ano passado foram apenas três.

RD – Como a escola faz para sobreviver durante o ano, sem as verbas distintas de Carnaval?
Jorge Zamoner – Nós temos um procedimento atípico em relação às outras escolas. A gente pra poder sobreviver atua com produção de outros eventos temáticos da região para poder pagar as contas. Ano passado fizemos o Natal em cinco cidades. Montar um projeto deste de Carnaval, que depende de pessoas, com custo mensal, necessita outras rendas. Devagarinho, fomos descobrindo esse nicho de festas temáticas.

RD – Este ano vocês apostaram na cultura regional como tema do enredo. Onde foram buscar inspiração?
Jorge Zamoner – Buscamos um tema que pudéssemos trabalhar financeiramente também. Então fomos pesquisar a cultura regional, pegando vários municípios que poderiam participar. Aí surgiu a ideia de fazer um apanhado para valorizar todas as festas culturais que acontecem por aqui. Então fizemos um trocadilho “No Contestado Vale do Carnaval a Acadêmicos faz uma Grande Festa Cultural”. Cada ala vai trazer um evento diferente. Vai ter a Festa da Uva, representando Videira, Pinheiro Preto e Tangará; a Festa do Tirol, a Festa das Águas, de Piratuba, a Festa da Cerveja. Conseguimos de certa forma um grande apoio da região. E isso vai ajudar a viabilizar o desfile de uma forma mais prática.

RD – Na visão da Acadêmicos do Grande Vale o desfile em um só dia é melhor ou prejudica as escolas?
Jorge Zamoner – Eu sou do tempo em que se desfilavam todas as escolas em duas noites. Tinha desfile no sábado, folgava no domingo e voltava o desfile na segunda-feira. Na época eu gostava muito. Era mais gostoso, era uma massa das quatro escolas envolvidas naquele desfile maior. A Avenida se envolvia e no segundo dia era melhor, porque não tinha julgamento, então a gente relaxava, se soltava mais. Acho que esse ano será melhor, com as quatro escolas no mesmo dia. No ano passado pareceu que faltava alguma coisa. Acabou muito cedo e a impressão que ficou é que ainda tinha algo por fazer. Eu mesmo fui a favor de desfilarem as quatro juntas no mesmo dia. Mas há uma resistência, porque é um trabalho muito grande deixar os carros ali na rua, atrapalha o trânsito, etc.

RD – Mas parece que vocês chegaram a um denominador comum e haverá desfile também na segunda-feira…
Jorge Zamoner – Isso, teremos desfile na segunda-feira, mas apenas de duas escolas, enxertadas com integrantes de outras duas. Então foi escolhida a Acadêmicos do Grande Vale e a Vale Samba.  O julgamento será no sábado e na segunda o desfile virou uma espécie de confraternização. Como os patrocinadores do evento pediram para fazer as duas noites e as escolas não queriam, pelo trabalho que dá. Então, ficou decidido que será essa confraternização. Aí vão para a avenida, na segunda, a Acadêmicos com a Aliança e a Vale Samba com a Unidos.

RD – Qual é a expectativa da escola para o Carnaval. A Acadêmicos do Grande Vale vai brigar pelo título?
Jorge Zamoner – A escola faz um trabalho nesse sentido. Até porque temos seis pra sete anos de vida e a parte mais difícil é a estrutura humana para uma escola nova. Estamos aprendendo fazendo. No ano passado nós fomos para ganhar e perdemos por 6 décimos. Então, esse ano, o pessoal tá apostando, já vimos como fazer para chegar lá. Estamos bem lapidados, mas não pode acontecer nenhum imprevisto. Temos de ter garra. O Carnaval nos possibilita um sentimento de união que não há muita explicação. A gente foca num objetivo e muitos participantes, até sem conhecimento de causa, sabem como fazer. Instinto… Acho que todo mundo junto faz a grandiosidade do Carnaval quase que espiritualmente. Quando a gente entra na avenida parece que saímos do chão. E eu sempre digo para meu pessoal aqui, se conseguirmos, naquela hora, entrar em outro plano, que é o plano da emoção, do prazer, e é isso que faz a gente trabalhar o ano inteiro, a gente ganha o Carnaval.

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