Ponto de Encontro, por Adão Jair Florencio

VENDO O MUNDO PELOS OLHOS DE OUTRA PESSOA

Um jovem revoltado com a família, emprego e amigos que tinha, fora os bens materiais resolveu abandonar tudo e ir morar em outro país.

No começo foi uma maravilha. Tudo era novidades. A família não estava ali para criticar seu modo de vida, os amigos não mais lhe enchiam a cabeça com conselhos sem propósito algum.

Ali não precisava estudar, o trabalho era bom apesar do salário baixo, as meninas não perguntavam se ele era rico ou pobre, enfim fazia o que queria. Ninguém dizia para ele não beber ou usar drogas, afinal seus antigos amigos e sua família era uma droga.

Aos poucos, os poucos amigos que fizera também se foram. As meninas não mais se aproximavam do forasteiro jovem, bonito, bem vestido e sempre alegre. Só que a alegria se fora, assim como a beleza e as roupas de marca. Por pouco ainda tinha emprego que já não o encantava mais. Estava novamente no findo do posso.

Certo dia parado em uma praça as lágrimas começaram a cair dos seus olhos. Foi quando alguém se aproximou e o cumprimentou alegremente. Não deu muita importância pois o efeito do álcool misturado à cocaína já estava passando e ele não tinha mais como pagar o dono da boca.

“E aí meu jovem. O que se passa? Posso ajudar?

Nada de resposta

Mesmo assim o estranho percebendo a tristeza no rosto do jovem começou a falar:” sabe meu jovem, eu tenho uma família maravilhosa. Minha mulher é brava, mas é a melhor mulher do mundo para mim. Tenho dois filhos maravilhosos que só me dão alegria. Gostam de estudar, um já está trabalhando. Mesmo assim não descuido dele. Quando quer sair tenho que saber onde vai, com quem vai e a que horas vai voltar! Afinal quem ama protege. E o pai ou mãe jamais falam algo para prejudicar o filho: sempre é para o seu bem.”

“Eu gosto de falar para os meus filho os meus problemas, os meus sonhos e objetivos. Afinal se eu não compartilhar com eles minha vida, eles também não vão compartilhar a vida deles comigo. Assim a gente antes de pai e filhos, somos amigos. Praticamente todo dia no almoço não tem zap nem televisão. É a hora do dialogo em família”

“Sabe que uma vez não era assim? Eu sou um doente alcoólatra! Mas desde que encontrei Alcoólicos Anônimos minha vida mudos da água para o vinho como diz o ditado!”

O jovem parou por um instante e disse: “você falou da minha família, porque minha família era assim antes de eu ingressar no mundo das drogas”.

“Acredito que a tua família continua sendo a mesma. Você é que mudou. Se quiser posso ajudar! Você viu a tua família pelos meus olhos.”

“Como?”

“Venha comigo em uma reunião hoje à noite. Se você quiser, poderá mudar teu mundo para melhor e terá tudo que perdeu de volta. Não se assuste se vier em dobro. Mas você têm que querer de coração aberto”

Tempos depois encontramos o mesmo jovem, que a principio nem o conhecemos, tão mudado para melhor estava. Indagado da mudança, nos disse ser membro de Alcoólicos Anônimos.

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