Ponto de Encontro, por Adão Jair Florencio

UMA QUESTÃO DE OPINIÃO

Eu poderia chamar este texto de “Meu Primeiro Amor”, não fosse tratar-se de uma área geofísica, mas que de uma maneira especial devoto um carinho particular.

Nos anos 1990, após algumas décadas vivendo às margens do Rio do Peixe, resolvi inopinadamente buscar novos aires, descobrir novos horizontes que viessem acrescentar-me cultura, enriquecimento e algo mais de que o ser humano precisa para regozijo de seu espírito e saciabilidade material.

O hevalense/Joaçabense foi ter no litoral para seus olhos se deleitarem com as vagas do oceano Atlântico pois eles já (será?) haviam se cansado das paisagens bucólicas que serpenteiam nossas cidades e seu espírito almejava descortinar novos panoramas.

“O homem na sua maioria, por índole ou aventura, não consegue ser sedentário de todo, mas tende ao nomadismo.”

Ao chegar em Biguaçu, à priori tudo era novidade e, portanto suscetível de êxtase. Até me parecia ouvir em cada palavra, sorriso das pessoas; em cada esquina e principalmente no meu trabalho a “Abertura Solene 1812 de Tchaikowski”, tal era o deslumbramento do homem do interior.

Mas aos poucos a saudade foi em apertando e a vontade de regressar me sufocando, chegando ao seu ápice após dezesseis meses apenas. O oceano outrora fruto de lazer e admiração já não mais me cativava; a Beira Mar Norte perdera seu encanto; o Passeio Público aos poucos deixou de receber as marcas dos meu pés… Somente os amigos que lá conquistei me prendiam: D. Neuza, Beto, Soldado Passos, D. Delma proprietária do Jornal Folha Catarinense, capitão Wolni e todo o pessoal da 4ª Companhia. Não querendo ser em absoluto prepotente e sem falsa modéstia, nem as lágrimas de filhos ou amigos – Soldado Leonildo, por exemplo -, fizeram-me demover a idéia de voltar ao Vale do querido e poluído Rio do Peixe.

Hoje, já a algum tempo de volta ao lar, me sinto mortificado, boquiaberto e por vezes revoltado quando ouço falarem mal da nossa Herval d’Oeste ou da irmã Joaçaba, principalmente do seu povo. Somente o filho pródigo sabe o valor da casa paterna.

Estava eu já tal Antônio Gonsalves Dias onde em um trecho de sua poesia Canção do Exílio diz: “não permita Deus que eu morra/sem que eu volte para lá”.

Mas cá estou cortando o cabelo no João Barbeiro, conversando com o Juca Fuganti, com o Flávio Tobaldini da Distribuidora Diplomata e centenas de outros mais acenando, em cada esquina a um amigo, que a mim parece dizer: “que bom que você está aqui!”.

Herval d’Oeste/Joaçaba, Joaçaba/Herval d’Oeste, não importa o que digam, aqui não me sinto apenas mais um, mas sim uma parte do todo, do teu povo amigo e hospitaleiro.

Quem toma a água do Rio do Peixe, cedo ou tarde sempre volta.

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