Vinhos para degustar durante a Copa do Mundo

Rodrigo Leitão
De Brasília

Como estamos no meio da Copa do Mundo, acho que vale uma dica de vinhos dos países produtores que estão disputando o torneio. Para facilitar a vida de todo mundo, classifiquei os países por suas uvas mais representativas, mas não vou dar dicas aqui de vinhos puro-sangue, varietais, que são aqueles feitos de uma uva só, em casos mais complexos. O interessante é buscar vinhos com bom custo-benefício e fugir dos chavões de mercado. A ideia aqui é comprar barato para beber com os amigos, durante os jogos.

Então, seguindo esse raciocínio, vou indicar os seguintes: Argentina (malbec), Brasil (espumante), Uruguai (tannat), Austrália (shiraz), Espanha (tempranillo), Portugal (alentejano), França (Bordeaux), Alemanha (riesling). Os demais países podem até produzir vinho, mas nenhum deles se destaca internacionalmente. Vamos aos melhores, então:

ALEMANHA (Riesling) – Bürklin Estate Riesling Old Vines QbA 2005. Vinho branco elaborado pelo renomado Bürklin-Wolf com uvas de vinhedos antigos, com mais de 25 anos. A vinícola fica na região de Pfalz, no Oeste da Alemanha. É 100% riesling. Ele é parcialmente maturado em grandes pipas de carvalho e tem 12,5% de álcool. Vinho de corpo médio, com guarda entre 5 e 10 anos. Harmoniza bem com peixes e frutos do mar e deve ser servido tambpem como aperitivo.

ARGENTINA (malbec) – Alamos Malbec 2008. Esse é o melhor custo/benef´cio da Catena Zapata. Sem dúvida um dos melhores achados do mercado. Esse vinho é uma das poucas unanimidades argentinas. Elegante, sofisticado, é um vinho “francês”. Tem boa estrutura e taninos generosos. Produzido na região de Mendoza, é 100% malbec e tem 13,5% de álcool. Os vinhedos da Catena Zapata são em altitudes elevadas o que confere uma ponta de pimenta ao final do malbec. Ficou 9 meses em carvalho (25% barricas novas). Tem guarda de 5 anos e combina com carnes grelhadas e massas com molhos fortes.

AUSTRÁLIA (shiraz) – Richland Shiraz 2006. Vinho produzido na região Riverina (Nova Gales do Sul), pela Westend Estate, que pertence a um ex-roqueiro italiano, o Bill Calabria. Esse vinho tem um diferencial, que a concenração de 86% de shiraz e 14% de durif, uma uva morta na França e cujas cepas sobreviveram na Austrália. Tem 14,5% de álcool e ficou doze meses em carvalho (francês e americano). Fica muito bem acompanhado por cordeiro ao alecrim, penne arrabiata, filet mignon com cogumelos e alho com polenta assada. Curiosidade: o enólogo é portador de uma rara alergia causada pelos ácidos no vinho que o impede de engolir esta bebida. Bill Calabria só bochecha esta pérola. Tempo de guarda: 4 anos. Tá hora de tomá-lo.

BRASIL (espumante) – Brut Rosé Adolfo Lona. Pra mim, é o melhor custo/benefício em espumantes. No Brasil, é o melhor do estilo rosé. Leva 180 dias para ficar pronto, pelo método charmat e é feito com chardonnay (40%) e pinot noir (60%). Adolfo Lona permite pouco açúcar em seus espumantes. Esse Brut Rosé leva 8g de açúcar por litro. A cor salmão desse vinho na taça é um charme á parte. A perlage (quelas bolinhas que ficam subindo no champangne) é fina e persistente, o que garante a qualidade da bebida. Fica ótimo com filé mignon, picanha grelhada, morangos ou simplesmente como entrada. Tem 12% de álcool e custa uma pechincha.

ESPANHA (tempranillo) – Esencia Valdemar Tempranillo 2008. Um lançamento das Bodegas Valdemar, que pertence ao grupo Martinez Bujanda. É 100% tempranillo, bem frutado e com notória madeira. Feito na região de Rioja, com uvas de dois vinhedos: El Cortijo (Rioja Alta) e La Finca La Esperilla (Rioja Baja). A fermentação é feita com uvas de bagas inteiras (sem sofrer prensagem) e em pequenas cubas fechadas. É a chamada maceração carbônica. Isso dá mais cor e acentua os sabores frutados do vinho. Tem 13% de álcool e está pronto para consumo com carne em geral e cordeiro.

FRANÇA (bordeaux) – Château Beauregard-Ducourt 2006. Um vinho exuberante, sedoso, de frescor acentuado e com aromas de frutas bem maduras. É produzido pelo Petits Châteaux, em Entre-Deux-Mers, na região de Bordeaux. Usa apenas duas uvas: Merlot (80%) e Cabernet Sauvignon (20%). Normalmente, entraria uma Cabernet Franc nessa composição. O teor alcoólico é de 13%. É um vinho de corpo médio, que pode ser guardado entre 5 e 10 anos. Fica ótimo com carnes, grelhadas e assadas.

PORTUGAL (Porto) – Barrinhas Royal Porto LBV 2003 – Este é o porto de melhor custo benefício do mercado. Provei na mostra do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. É produzido pela Real Companhia Velha, um Tawny feito a partir de 8 uvas e você sente muita cereja nele. Custa R$ 71 e fica ótimo com queijos e sobremesas portuguesas, como o quindim, por exemplo. O vinho do Porto é classificado em 3 categorias, o branco, o ruby e o Tawny. O Tawny é o mais antigo, fica mais tempo amadurecendo e por isso, geralmente, é mais saboroso, e mais caro.

URUGUAI (tannat) – Bodegas Carrau Ysern Tannat Roble 2007. Ganhei de presente do meu amigo André Giusti. Ótimo vinho, de excelente custo-benefício. As frutas vermelhas saltam da taça. Lembra compota de ameixa, marmelos e especiarias. Bastante tanino remetendo a tabaco e chocolate, o que evidencia também o prolongado tempo em madeira. 50% desse vinho ficou em carvalho francês e a outra metade em carvalho, por um ano e meio. O Ysern Tannat 2006 Roble é produzido em duas regiões, Cerro Chapeu (que tem solo arenoso e clima continental) a Las Violetas (terra argilosa e clima marítimo. Acidez na medida para os taninos que tem, esse vinho é uma boa companhia para carnes vermelhas, nossos churrascos e picanhas gordas com graxa e tudo!

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