Jovens são maiores vítimas de Pânico

Até poucos anos, quando se falava em síndrome do pânico, a maioria da população não levava esse tipo de transtorno a sério. Essa síndrome, ligada a ataques de ansiedade, leva o indivíduo a vivenciar crises de angústia, medo e terror, e quando não tratada tende, com o tempo, gerar mudanças comportamentais. A pessoa passa sentir medo de atividades muito simples, como sair de casa, por exemplo. Hoje, estudos comprovam que a síndrome do pânico atinge duas vezes mais mulheres do que homens; especialmente entre os 18 e 35 anos.

O Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo aponta que cresce a cada ano o número de pessoas identificadas com o transtorno psicológico dessa síndrome no mundo. Estatísticas mostram que no Brasil 12% da população sofre com algum transtorno de ansiedade. Isso representa 24 milhões de brasileiros com ansiedade patológica. Estima-se também que 23% da população brasileira terá algum tipo de distúrbio ansioso ao longo da vida.

A síndrome do pânico pode desencadear fobias que, aos poucos, limitam a vida do individuo, que vai se isolando do meio de convivência, amigos, familiares, com tendências a se tornar cada vez mais recluso. Vale apontar que a incidência de suicídio aumenta em até três vezes em pessoas com pânico.

No auge da fama, o cantor e ator Lucas Lucco, então com 24 anos, usou as redes sociais para fazer um desabafo, admitindo o uso de remédios para crises de pânico. Caracterizados por pensamentos catastróficos de loucura, morte iminente ou perda de controle, esses episódios, quando ocorrem repetidamente, apontam para o diagnóstico da síndrome.

“Nessa fase, as pessoas estão se conhecendo. É um momento de grande estresse, de muitas novidades, de mudanças. Então, é a hora em que existe maior chance de aparecerem alguns distúrbios”, explica o psiquiatra Gabriel Bessa, do Hospital Estadual Pedro II, do Rio de Janeiro.

“No caso de Lucas Lucco, ter que sustentar o sucesso e fazer muitos shows podem ser também grandes fatores de risco”, disse o  psiquiatra Rodrigo Pessanha de Castro, mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, metade dos indivíduos acometidos pela síndrome do pânico apresentam as primeiras manifestações antes dos 24 anos. O problema é raro em crianças e mais comum entre as mulheres, duas vezes mais do que entre os homens.

Os ataques podem não ter causa aparente ou ser provocados pela exposição a situações que gerem desconforto ou lembrem um trauma. Eles duram de cinco a dez minutos. De acordo com Bessa, pessoas com histórico familiar de síndrome do pânico têm oito vezes mais chances de desenvolver a doença se comparadas à população em geral. “Parar para refletir e se entender um pouco é a forma mais eficaz de prevenção, para essa e outras doenças mentais”, afirma o psiquiatra.

O Dr. Bessa esclarece que podem ser usados medicamentos, especialmente certos antidepressivos e alguns tranquilizantes, e os tratamentos psicoterápicos para tratar o pânico. A terapia cognitivo-comportamental se propõe a identificar situações e ideias que servem como “gatilhos” para os ataques e a exercitar técnicas de controle mental que possam deter o processo.

 

Fatores que dão origem ao problema

Esse transtorno de ansiedade generalizada se caracteriza por crises súbitas acompanhadas de medo intenso e irracional de morte iminente, aparentemente sem fatores que justifiquem esse sintoma, porém deixa o indivíduo sentindo-se incapaz.

A síndrome pode surgir após situações traumáticas vividas por essa pessoa e as crises duram de cinco a vinte minutos e tendem a ser reincidentes, podendo se repetir por várias vezes. Os principais sintomas dessas crises são; ansiedade, palidez, fraqueza, suor intenso, falta de ar, palpitações, tonturas, tremores, desmaio e sensação de morte.

Pode haver períodos de melhora espontânea desse transtorno, mas em geral, não desaparecem sem um tratamento eficaz.

O diagnóstico precisa ser realizado por um profissional da saúde especializado, médico psiquiatra que, solicitará uma série de exames físicos, para investigar os sintomas com o intuito de excluir a possibilidade de outras patologias e, se constatado a síndrome do pânico, inicia-se o tratamento, onde é necessário uma associação de medicamentos com psicoterapia.

Pessoas que apresentam alguns dos sintomas citados anteriormente, precisam procurar ajuda e deixar o preconceito de lado. O tratamento precoce evita consequências como; afastamento, demissões do trabalho, aposentadoria precoce devido à incapacidade funcional, dentre outros problemas.

É essencial que a família seja orientada nesse processo de tratamento para que compreenda o comportamento do paciente. Infelizmente, é muito comum os familiares pressionarem a pessoa para superar a crise e, nesse momento, ter muita paciência e apoiar o tratamento é fundamental.

O trabalho de psicoterapia vai auxiliar o paciente na identificação dos sintomas destrutivos no momento que estiver vivenciando as crises, auxiliando a desenvolver maneiras de desapego daquele sentimento, além de espaço para que o paciente possa falar do sofrimento que as crises lhe geram, se questionar sobre o que acontece com ele, a procurar dar sentindo, a partir da sua história, ao que parece não ter sentido. Proporcionando ao paciente condições para que ele possa subjetivar a condição do desamparo, porque vivemos a ilusão e idealizamos um mundo de estabilidade longe das incertezas e falta de garantias que é o que realmente a vida nos proporciona. Nós somos seres desamparos. Portanto, para a psicanalíse, o pânico nada mais é que um afeto extremo de angústia, despertado no indivíduo pelo confronto com o seu desamparo.

Quanto à cura, os resultados são muito individualizados. Existem pessoas que se propõem ao tratamento e aprendem sobre si mesmas, como pensam e funcionam, passam a se perceberem respeitando seus limites, significando sua ansiedade e podem nunca mais ter uma nova crise. Enquanto outras, terão reincidências em algum momento de sua vida, e outras ainda que farão uso de medicamentoso por toda a vida.

Sinais de um ataque ou crise

Eles geralmente se manifestam em situações isoladas que ocorrem quando você está longe de casa em situação de vulnerabilidade, mas pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento. Você pode ter um enquanto você está em uma loja de compras, andando pela rua, dirigindo em seu carro ou sentado no sofá em casa.

A maioria dos sintomas de um ataque de pânico são físicos, e muitas vezes esses sintomas são tão graves que as pessoas pensam que estão tendo um ataque cardíaco ou confundem com outros transtornos como a esquizofrenia.

Na verdade, muitas pessoas que sofrem de ataques de pânico fazem viagens repetidas ao médico ou à sala de emergência na tentativa de obter tratamento para o que eles acreditam ser um problema médico que ameaça a vida.

Embora seja importante excluir possíveis causas médicas de sintomas, tais como dor torácica, palpitações cardíacas ou dificuldade em respirar, muitas vezes o pânico é negligenciado como uma causa potencial – e não o contrário.

 

CONFIRA OS SINTOMAS

  • Falta de ar ou hiperventilação
  • Palpitações cardíacas ou coração de corrida
  • Dor no peito ou desconforto
  • Tremor
  • Sentimento de bloqueio
  • Sentindo-se excluído ou separado do seu entorno
  • Sudorese
  • Náusea ou dor de estômago
  • Tonteira, leve ou fraca
  • Adormecimento ou sensações de formigamento
  • Medo de morrer, perder o controle ou enlouquecer

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FONTE: USP/UFRJ

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