Frei Clarêncio teve o privilégio de conhecer Frei Bruno e escrever sua biografia

Frei Clarêncio Neotti escreveu a biografia de Frei Bruno. Foto Pascom/Divulgação

Um pouco antes da Caminhada Penitencial Frei Bruno, às 8 horas do dia 25 de fevereiro, o povo poderá ver a última sessão solene do Tribunal Eclesiástico para a Causa de Frei Bruno Linden em frente à Catedral Santa Terezinha de Joaçaba, presidida pelo bispo diocesano de Joaçaba, Dom Mário Marquez (OFMCap).  Além de todas as autoridades religiosas e civis, participarão deste momento histórico os representantes da Comissão Histórica do processo: Frei Clarêncio Neotti e Iraci Lopes.

Frei Clarêncio é um dos poucos frades da Província que teve o privilégio de conhecer Frei Bruno, frade franciscano que deixou suas marcas de santidade no estado de Santa Catarina, principalmente no Oeste e no Vale do Itajaí. “Criança de 10 anos ajudei a Missa de Frei Bruno, quando, na Quaresma de 1945 visitou as Irmãs Catequistas em Ribeirão Grande. Voltei a ver Frei Bruno durante o meu noviciado em 1955”, conta Frei Clarêncio, que, no entanto, lembra que conheceu a “grandeza de Frei Bruno” como presidente da Comissão Histórica.  “Nessa qualidade, tive em mãos todos os documentos sobre ele ou produzidos por ele ou surgidos em torno dele e de sua fama de santo, depois de sua morte”, observou o frade.

SABEDORIA E SIMPLICIDADE

“Eu sabia, pelo conhecimento da vida de São Francisco e de outros santos, que a simplicidade tem uma grandeza que não se mede por metro humano. Sabia também que São Francisco considerava a simplicidade irmã gêmea da sabedoria. Estas duas qualidades em Frei Bruno se destacam muito no levantamento histórico que fizemos. A simplicidade aparece em todos os depoimentos, ora destacada na pobreza de suas roupas ou na frugalidade de sua comida, ora no trato carinhoso e extremamente humano com as pessoas ou no modo de solucionar dificuldades administrativas”, revela Frei Clarêncio.

Quando Jesus começou a pregar na Sinagoga de Nazaré, o povo se perguntava: ‘De onde lhe vem essa sabedoria’ (Mc 6,2). O espanto vinha do fato de eles não entenderem que um homem de família e vida simples pudesse ser tão sábio nas palavras e ensinamentos. Com Frei Bruno aconteceu exatamente a mesma coisa. Não fizera cursos extraordinários, não tinha títulos acadêmicos. Mas tinha simplicidade em abundância, por isso era sábio na opinião e no aconselhamento. De fato, o cultivo da simplicidade gera a sabedoria que, por sua vez, produz o santo”, acrescenta Frei Clarêncio.

Segundo o frade, ao longo do processo se perguntou se Frei Bruno demonstrou em grau heroico a fé, a esperança e a caridade. “Diante de todos os documentos que recolhemos, e tendo-os lido inúmeras vezes, me convenci de que as três virtudes só crescem, se plantadas no canteiro da simplicidade, que também se chama humildade. Duvido que haja alguma santidade que não tenha as raízes na simplicidade”, afirmou Frei Clarêncio.

Como presidente da Comissão Histórica, Frei Clarêncio é autor do livro “Frei Bruno Linden, tudo para todos”, lançado em 2014 por ocasião da Romaria Penitencial de Frei Bruno. Frei Clarêncio, que reside em Vila Velha (ES), onde é Vigário Paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo, é jornalista e escritor.

O PROCESSO

O processo da Causa de Frei Bruno recebeu o “nihil obstat” (nada contrário) no dia 7 de maio de 2013, quando o Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, enviou documento a D. Mário Marquez informando não existir impedimento para iniciar oficialmente o processo de beatificação do frade franciscano da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. No mesmo ano, no dia 30 de outubro, foi instalado o Tribunal Eclesiástico da Diocese, formado por: Pe. Davi Lenor Ribeiro dos Santos, delegado do bispo, Pe. Clair José Lovera,  promotor de justiça; Michelle Selig, notária (secretária); e Cláudio Orço, notário auxiliar. Trabalhou neste processo também uma Comissão histórica formada por Frei Clarêncio Neotti e a historiadora Iraci Lopes, que teve a missão de recolher toda a documentação sobre Frei Bruno, tudo o que se escreveu sobre ele e todas as referências à vida e santidade de Frei Bruno.

A documentação, agora, será encaminhada para a Secretaria da Congregação da Causa dos Santos, em Roma, e depois se aguardará a avaliação positiva da Secretaria. Depois desta fase, o Tribunal deverá começar a segunda próxima etapa, que se trata de recolher aqueles pretensos milagres realizados por intercessão de Frei Bruno. Essa etapa deverá começar em meados deste ano.

A Congregação para as Causas dos Santos, presidida pelo Cardeal Prefeito Angelo Amato, vai receber o processo da Causa de Frei Bruno. Um relator desta Congregação dará parecer positivo ou negativo sobre a causa. Esse parecer é submetido a votações de uma comissão teológica e, depois, dos bispos e cardeais membros da Congregação. Se eles decidirem pela continuidade da causa, enviam ao Papa o pedido para um decreto de reconhecimento das virtudes heroicas. Se o Papa aceita a solicitação, o candidato passa a ser chamado “venerável”.

Para ser beato, ou bem-aventurado, que significa representar um modelo de vida para a comunidade, será necessário o reconhecimento de um milagre realizado por intercessão do Servo de Deus. No caso de Frei Bruno já existem relatos de graças e eventuais curas que serão analisadas pelo Tribunal a partir da metade deste ano. Deve-se, portanto, incentivar o povo cristão a pedir um milagre pela intercessão de Frei Bruno.

Depois, ainda é preciso passar por mais uma fase: a canonização. Para ser proclamado santo é imprescindível a comprovação de outro milagre, que deve ocorrer após seu reconhecimento como beato.

(Fonte: Angelo Junior Radavelli/Pastoral da Comunicação)

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